Costa Rica dizendo

Tyler McCloskey Você pode ter ouvido os viajantes se referir à Costa Rica como cantinho do Édén Se você já esteve aqui, você volta, e se você não tiver, você vem i. Este lugar es 100% real e fresco ao estilo de Estados Unidos, se vê como um visitante veterano, uma vez que você cruza essas fronteiras você vai conhecer novas pessoas, conquistar novas aventuras, encontrar nova vida ... 7 minutos Você que é dos rolês vibe da vida, saiba que existe no mundo um lugar pra abraçar com todas as suas forças: a Costa Rica. Mas, se você não é, pode ter a absoluta certeza de que também vai amar esse país! Isso porque é inevitável não ser contagiado pelo clima Pura Vida da Costa Rica. Se tem dúvidas, então leia o texto e depois me conta. Four Seasons Resort Costa Rica at Península Papagayo. O hotel foi uma bela surpresa para o que esperava encontrar na Costa Rica. De 0 a 10 minha nota é 8. Não dá para se comparar, por exemplo, com o Las Ventanas (México), Conrad Rangali (Maldives) ou Armani Dubai (Emirados Árabes) que só o hotel já vale a viagem. Mas, o hotel é muito bom. Arnaldo Junior complementou dizendo que “a transmissão contou com a participação de um público variado, entre eles diversos consultores de políticas públicas do sistema Sebrae dos Estados do Piau, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, da Bahia, interessados em acompanhar a experiência de sucesso da gestão de Costa Rica por meio do ... Costa Rica is filled with so many different things you can do. Here is a list of some of the top things you need to try while you're there. Fotos Tumblr Na Picina Maiô De Natação Melhores Lugares Para Viajar Imagens De Praia Secar Barriga Rapido. Ana Rita salvou na pasta P E O P L E A Costa Rica estava no meu radar há muito tempo. Um casal de amigos alemães sempre fez a maior propaganda, dizendo que o país era uma versão miniatura do Brasil, com vulcões e segurança (em tempo: esses amigos adoram o Brasil, já foram umas 7 ou 8 vezes e falam português super bem – a comparação entre Costa Rica e Brasil foi um elogio, não uma crítica). about costa rica O s costa-riquenhos costumam atingir idades avançadas, o que pode dever-se ao seu estilo de vida despreocupado. Os quatro milhões de ticos e ticas, como se auto-dominam os homens e as mulheres destes pequeno istmo entre a Nicarágua e o Panamá, não parecem conhecer o significado da palavra stress. O homem de 43 anos, preso em flagrante, após tentar matar a namorada a facadas em Costa Rica na madrugada desta quinta-feira (13), prestou depoimento na delegacia de Polícia Civil e confessou o ... Encontre informações para investidores e veja o que a mídia está dizendo sobre a RB. Mídia Prêmios e reconhecimento; Inovação . Inovação . A pesquisa de alto impacto, voltada para o consumidor, está no centro de nosso propósito. ... 1000 San José Costa Rica +506 2201 8081 +506 2201 8082. Oportunidades de carreira em Costa Rica. RB ...

GT DA BROTHERAGEM

2020.09.14 13:44 JustCallMeLyraM8 GT DA BROTHERAGEM

GT DA BROTHERAGEM
/cc/
>eu tenho um amigo bem próximo
>amigo não
>ele é tipo um irmão
>amo aquele filho da puta
>vamos chamar ele de Maicão
>nos conhecemos no jardim da infância
>dividíamos o todynho e o biscoito passatempo no recreio
>bolachaéocaraio.mp3
>estudamos na mesma turma até a quinta série quando os pais dele se mudaram pra longe da escola
>ele continuava morando na mesma cidade, mas tava numa escola diferente
>ainda assim nos víamos todos os fins de semana
>nossas famílias se tornaram amigas também
>tudo era um mar de rosas até o final de 2004
>ano 2005
>entra uma aluna nova na minha turma
>o nome dela era Thais
>lembro como se fosse ontem do momento em que ela entrou na sala
>tudo parecia ter ficado em câmera lenta
>o sol batia nela
>o ventilador soprou seus cabelos
>ela marchava como uma égua manga larga do trote formoso
>paudureci naquele exato momento
>o foda é que eu tava em pé naquela hora e a primeira aula era de educação física
>short.gif
>todo mundo da sala começa a rir de mim e a gritar
>me chamaram de pau retrátil porque foi só a menina aparecer que ele subiu
>morri de vergonha naquela hora
>sentei na cadeira e pus a mochila no meu colo
>eu só queria sumir
>até a professora riu
>mas a Thais não
>ela sentou atrás de mim e disse pra eu não ligar pra eles e que eu ficava lindo com vergonha
>caraio vei não pude acreditar
>eu era tão tímido que pedi pra ir no banheiro na mesma hora e fiquei trancado lá até a hora do recreio
>quando o recreio chegou eu pus o dedo na goela na frente da sala dos professores
>acho que vomitei até meu intestino naquela hora
>comecei a dizer que tava passando mal
>os professores me liberaram da escola e fui pra casa mais cedo
>chego em casa e passo a tarde toda tendo fantasias masturbatórias com a Thais
>eu era tão beta quanto aqueles peixes de briga
>quando a noite chega eu corro pra casa do Maicão
>conto tudo pra ele feliz da vida
>Maicão fica feliz por mim
>brodagem.rar
>segue o jogo
>durante o resto do ano eu iria me aproximar cada vez mais da Thais e me afastar cada vez do Maicão
>ele dizia que ela tava me afastando dele mas eu discordava
>dizia que era coisa da cabeça dele
>o tempo passa
>a Thais é promovida à pitanguinha e a distância entre mim e meu brother ia aumentando cada vez mais
>um dia briguei feio com o Maicão quando ele disse que ela tava cmg só por conta do meu dinheiro
>eu não era rico, mas da escola eu era o mais bem de vida
>meu pai era o único que não tava preso e não trabalhava com drogas
>minha mãe não trabalhava na zona
>zoas ela trabalhava sim
>ela agenciava a tua mãe, aquela puta boqueteira
>zoas de novo, minha mãe era artista plástica
>um dia eu acabo falando pra Thais que o Maicão tava se sentindo escanteado
>ela começa a me dizer que era inveja do nosso relacionamento e que ele só queria nos separar
>acabo dando ouvidos a ela e brigando feio com ele
>putaquepariuqueburrice
>nunca devia ter dado ouvidos à ela
>foco no gt
>paro de falar com o Maicão e cada vez mais me entrego pra a Thais
>toda semana era cinema
>lanche na Mc Donald’s
>roupa na Marisa
>minha mesada começou a ser exclusivamente dela
>um belo dia recebo uma mensagem do Maicão dizendo que a Thais tava me traindo
>respondi mandando ele tomar no cu
>ja faziam uns 5 meses que eu não falava com ele e do nothing ele vinha com um papo desses
>ele disse que eu devia ficar atento aos sinais
>não dou a foda pro que ele diz e continuo o namoro
>na semana seguinte vejo ela com uma marca roxa no pescoço
>ela diz que tinha caído da escada
>eu disse que acreditei mas fiquei desconfiado
>nada me tirava da cabeça oq o Maicão tinha me dito
>procuro ele e conto oq aconteceu
>diferente de mim ele não era um filho da puta
>Maicão me ove e depois me conta tudo que sabia
>a Thais tinha vindo da escola em que ele estudava
>ela era conhecida como viúva negra na escola
>ela se prendia à um macho e sugava tudo dele até ele não ter mais nada
>sim, ela tmb sugava o pau
>não, ela não tinha sugado o meu ainda
>Maicão continua a história dizendo que tinha visto ela saindo da casa de um carinha que morava no mesmo bairro dele
>até aí não vi nada demais
>mas ele me disse que ela tinha dado um beijo na boca do cara na saída e quando virou de costas o cara deu um tapa na bunda dela
>ÉOQ?!
>aquela vadia não tinha nem sequer me deixado pegar na bunda dela ainda
>dizia que era só depois do casamento
>eu era beta betoso full +15
>ela me levava pra igreja todo domingo
>acreditava nela sem questionar
>caio no choro e o Maicão me consolou
>disse que eu não tava sendo um bom amigo mas que ele nunca deixou de me ter como irmão
>bolamos desmascarar ela juntos
>ela ia pra casa dele toda sexta de noite
>realizo que era a hora que a mãe dela saía de casa pra ir pro culto de oração da igreja
>caraio_como_sou_burro.jpeg
>chifre.rar
>no dia seguinte falo com a Thais como se nada tivesse acontecido
>ela diz que me ama
>digo que amo ela tmb
>caraio, eu queria matar ela ali naquela hora
>mas amava aquela desgraçada
>feelsbad.png
>sexta feira
>19h
>tava com o Maicão escondido na rua da casa dela
>avistamos a mãe dela saindo de casa
>corremos pra mãe e contamos a história
>mãe não acredita, mas topa ir com agnt até a casa do talarico
>19:30h
>Thais sai de casa com um short enfiado no cu
>pqp pra quê enfiar tanto ssaporra?
>tava tão fundo que ela devia ta sentindo do gosto dele
>seguimos ela de longe
>a vadia entra na casa do moleque
>nessa hora a mãe dela já queria matar ela, mas eu fiz ela esperar
>entrei dando um chutão na porta da frente
>queria pegar ela com a boca na botija
>e consegui
>infelizmente a botija em questão era a rola do cara
>ela tava engolindo o pau daquele moleque com uma facilidade absurda
>nem sua mãe consegue engolir minha piroca tão fácil
>foco no gt
>Thais leva um susto tão grande na hora que morde o pau do cara
>num ato reflexo por conta da dor o cara da um murro na cara de Thais
>ela cai no chão
>a mãe dela comeca a bater nela com uma havaianas e depois começa a arrastar ela pelos cabelos pra fora de casa
>a Thais é arrastada pela rua até chegar em casa
>racho o bico com a cena como mil hienas comemorando a morte do Mufasa
>peço perdão pro Maicão pela cagada que fiz
>Maicão diz que fui um idiota, mas que era o irmão dele e que nada iria nos separar
>dois dias depois Thais chega na escola toda roxa
>tinha apanhado tanto que o conselho tutelar tirou a guarda dela da mãe
>ela chega perto e diz que quer falar CMG
>ignoro
>ela me puxa pelo braço, olha no meu olho e diz:
>como vc descobriu?
>digo que o Maicão me contou tudo
>ela diz que vai pra um orfanato hoje. Só foi na escola buscar sua transferência.
>Kkkkkjkkjjjk
>ela diz que eu posso rir agora, mas quem ri por último ri melhor. Disse também que nunca iria esquecer aquilo e que o Maicão iria pagar por ser x9
>puxo meu braço, dou as costas e vou embora
>ano 2016
>terminei a escola e faço faculdade
>Maicão faz o mesmo curso que eu e estudamos na mesma turma novamente
>full brothers +15
>desde o episódio com a Thais nunca mais tínhamos brigado
>trabalhávamos, tínhamos nossa independência
>tudo ia bem até recebermos o convite para uma festa que rolaria naquela noite
>eu e o Maicão dividiamos o apartamento agora
>o convite veio por baixo da porta dentro de um envelope
>open_bar.jpeg
>o envelope vinha com 2 pulseiras
>as pulseiras davam acesso à área vip da festa onde rolaria os alcoolismo
>ficamos relutante por um momento até abrirmos a carta
>a carta tava endereçada à mim e ao Maicão
>era uma letra de mulher
>não tinha muita informação só dizia que não deviamos perder a festa por nada e que lá tudo seria explicado
>não tinhamos nada à fazer então topamos
>22h
>party.time.jpeg
>logo de cara fomos recebidos por duas loiras peitudas que estavam de camisa branca
>ambas estavam dançando na entrada da festa enquanto se molhavam com uma mangueira
>séélococuzão.rar
>a festa tinha uma proporção de 4 depósitos para cada homem
>a cada dois homens, um era gay
>era tipo o plenário da câmara dos deputados só que ao contrário
>quando entramos no salão principal todo mundo virou pra a gente
>tipo aquela cena do universidade monstro
>as depósitos cochichavam entre elas
>pensamos que tinha algo errado conosco mas a vdd é que éramos os caras mais lindos dali
>na vdd nem éramos isso tudo, mas tínhamos rola e éramos heterossexuais
>feelsalpha.png
>fomos andando até a área vip
>a decoração da festa era cheia de fotos de uma depósito
>era uma ruiva 10/10
>a festa devia ser dela
>tive a impressão que ja tinha visto ela em algum lugar
>áreavip.gif
>a área vip era lotada de bebidas
>não tinha uma depósito abaixo de 8/10
>no buffet tinha camarão e lagosta
>mano do céu era a festa mais foda que eu ja tinha ido
>quando olho pro lado ta o Maicão atracado com uma mina
>dois minutos depois a mina larga ele e agarra outra mina
>ÉOQ?!
>aquilo tava parecendo um bacanal grego
>uma coisa no entanto me incomodava
>quem teria nos convidado?
>avisto a anfitriã da festa, aquela ruiva 10/10
>ela se aproxima de mim lentamente
>mano do céu, paudureci na hora
>só conseguia imaginar eu enfiando o pau tão fundo nela que quando eu terminasse ia ta na camada do pré-sal
>a calça aperta e ela percebe que estou preparado para o abate
>fico sem graça e tento disfarçar
>ela vem por trás de mim, ri e diz que eu fico lindo com vergonha
>gelei na hora
>caraio, era a Thais - pensei
>pergunto se ela era a Thais
>ela ri e me chama de idiota.
>diz que seu nome é Raquel
>caraio, ela nao tinha nada a ver com a Thais
>errei feio, errei rude
>pensei que tivesse estragado minha chance
>raciocinando com a destreza de um crackudo na fissura e digo:
>é porque thaislinda com essa roupa
>ela ri, eu rio, segue o jogo
>nessas horas eu nem sabia mais que existia um Maicão
>só pensava em mergulhar naquelas tetas magníficas
>na boa, se ela fosse minha mãe eu mamaria até hj
>quando olho pro lado o Maicão tava agarrado com duas ao mesmo tempo
>bodyshot.gif
>caraio o Maicão tava levando uma surra de peito na cara enquanto bebia e eu no 0x0
>me aproximo da ruiva já na maldade
>ela chega do meu lado
>põe a mão no meu ombro e fala na minha orelha direita:
>quem é esse teu amigo?
>poooooooooooorra.mp3
>o moleque ja tinha catado duas e agora ia catar a ruiva
>tive vontade de mandar ela se fuder, mas ele era meu brother, não podia prejudicar ele
>nenhuma depósito ficaria entre nós
>não deu nem 10 minutos do momento que disse o nome dele pra ela e ela ja tava agarrada nele
>a ruiva chupava a língua dele como se fosse o último picolé do verão
>avisto uma depósito 9/10 dançando sozinha
>penso em me aproximar, mas antes que eu chegue a ruiva puxa ela e põe na roda com o Maicão
>ja não entendia mais nada
>eu sempre pegava as depósitos +/10 do que ele e agora ele tava numa orgia de bocas e eu sem nada
>começo a beber
>realizo que ta na hora de baixar as expectativas
>avisto uma ananzinha 5/5 escorada no balcão
>me aproximo dela e pergunto se o pai dela era padeiro
>ela pergunta se era pq ela era um sonho
>eu digo que era pq eu queria comer a rosca dela
>sério que anã rabuda do carai
>a anã me dá um tapão e sai de perto
>vsf que festa merda do carai
>comecei a beber descontroladamente pra compensar a frustração
>dou em cima da garçonete
>a garçonete era uma trans
>ela me esnoba e vai embora
>vômito.rar
>caraio nem a mulher com rola me quis
>decido que hoje não é meu dia e que ta na hora de voltar pra casa
>procuro o Maicão pra ir embora cmg
>vejo ele entrando no carro com duas 1,5 depósitos
>pensei que ele tivesse indo pra um motel ou algo do tipo
>ele tava de mãos dadas com a ruiva e com a anã 5/5
>a ruiva olha pra mim, da uma risada e depois um xauzinho
>caraio que raiva daquela ruiva
>me esnobou e agora vai dar pro meu brother
>faço sinal pro Maicão que vou embora
>ele grita “Oklahoma”
>era nosso sinal secreto
>significava que ele ia realizar o ato de socação intra uterina e que eu não deveria incomoda-lo
>entendo o recado, dou meia volta e volto pra casa
>chegando em casa
>tudo girava por conta do álcool
>brinco um pouco com o o Visconde de Sabugosa até ele cuspir
>durmo
>no dia seguinte acordo com dor de cabeça, deitado no sofá
>percebo que tinham 537272717 chamadas não atendidas no meu celular
>todas do Maicão
>imagino todas as desgraças do mundo
>comeco a ligar de volta mas ele nao atende
>recebo uma ligação de um número desconhecido no meu celular
>é uma mulher
>ela ria descontroladamente
>disse que estava na festa o tempo todo me observando
>pergunta se a noite foi boa e se eu peguei alguém
>mando ela tomar no cu e digo que peguei a mãe dela
>ela racha o bico e diz que é impossível pq a mãe dela foi a primeira a pagar oq devia
>gelei na hora
>reconheci a voz
>era a Thais
>ela começa a contar seu plano do mal
>diz que foi parar num orfanato depois daquele episódio
>que apanhou muito da família onde foi parar mas a família era podre de rica
>a família produzia festas tipo o tomorrowland
>viajaram pra fora do país e levaram ela junto
>disse que por muito tempo quis se vingar mas a família não dava a foda
>dois meses atrás a família tinha morrido num acidente de carro e ela ficou como única herdeira
>ela pôs como meta de vida concluir a vingança que passou anos arquitetando
>disse que a festa foi planejada por ela
>que todas as depósitos da área vip foram contratadas por ela baseadas no meu tipo de mulher
>pergunta como me senti não pegando ngm e vendo o meu “amiguinho” catando todas
>respondo que a vingança dela era uma merda e que tava feliz pelo meu brother
>ela racha o bico e diz que a vingança dela não era me deixar sem pegar ngm
>ela queria se vingar dele por ele ter dedurado ela
>pergunto qual vingança há em encher a rola dele de depósito
>você verá - ela me disse
>desligo o espertofone e percebo que chegou uma mensagem do Maicão no oqueapp
>faz uma semana que o Maicão toma mais coquetel que o Amaury Jr.
pica relatada da mensagem
https://preview.redd.it/9o5g9y8ep3n51.jpg?width=1080&format=pjpg&auto=webp&s=3dbefd7c59d10e7b40b9168ddac79176762f8591
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2020.07.27 04:51 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 4)

Todos os eventos do cerco a Ponta Tempestade formam um enredo ardilosamente planejado para vermos a transformação de Stannis de Senhor para Rei.
Como vimos, ainda que ele tenha se autoproclamado rei em Pedra do Dragão, Stannis se irrita ao ser chamado de Vossa Graça depois de saber da recusa dos Senhores da Tempestade em apoiá-lo (ACOK, Prólogo). Em seguida, quando Catelyn o chama de “Lorde Stannis” ao invés “Rei” ou “Vossa Graça”, Stannis ainda range os dentes, mas “não a incomodou com títulos” (ACOK, Catelyn III). Porém, após a morte de Renly, Stannis não esboça qualquer reação quando Cortnay Penrose o chama de Senhor (ACOK, Davos II).
Estes detalhes não são aleatórios e revelam a quantidade de confiança que Stannis vai adquirindo em seu destino e nas previsões de Melisandre. Eu fui um pouco precipitado ao terminar o último texto dizendo que Melisandre só passaria a usar Stannis depois de ele perder a Batalha da Água Negra. Os primeiros sinais de seus usos começam após a tomada de Ponta Tempestade. Como veremos, ainda que sejam sinais muito incipientes, estão lá.
Por outro lado, quando Stannis deixa de se sentir um pretendente que suplica o apoio de grandes senhores temos um pequeno vislumbre de como Stannis se comportaria caso viesse a assumir o governo dos Sete Reinos. Surpreendentemente, ele não é de modo algum o Stannis que Mindinho e Varys pintaram a Ned Stark no final de A Guerra dos Tronos.
Tudo ocorre em dois capítulos diferentes, Catelyn III e Davos II de A Fúria dos Reis. Os capítulos são tão parecidos que parecem narrar a mesma história duas vezes: Stannis está com Melisandre negociando termos no cerco, as negociações falham, os personagens POV prolongam o debate a procura de alternativas para o impasse e, por fim, a sombra de Stannis mata o adversário (no caso de Catelyn, a sombra surge no capítulo seguinte, mas acho que vocês entenderam...).
A narrativa, porém, não é a mesma, especialmente no que concerne ao personagem em questão. Em ambos os capítulos, o rei tem seus trajes observados por ambos os POVs. Reparamos que toda a sua roupa era muito simples, exceto nos adornos de poder – a coroa. No capítulo de Catelyn há menção às jóias na espada e no cinto que a carrega, que não se repetem no capítulo de Davos porque Stannis não a está carregando. Isso também é digno de nota, mas por razões diferentes.
De todo modo, o contraste entre os trajes e os adornos parece indicar que os últimos derivam de uma influência da mulher vermelha. Afinal, quando está fazendo uma comparação entre Stannis e Jon Snow, Melisandre critica o Lorde Comandante por levar uma vida espartana depois de ter ascendido ao cargo:
Nunca foi sábio para um governante evitar as armadilhas do poder, pois o poder flui em quantidades não pequenas de tais armadilhas.
(ADWD, Melisandre)
Entretanto, o que a repetida descrição dos trajes nos fala é que Stannis não mudou neste aspecto após ter reconquistado a lealdade dos Senhores da Tempestade. A mudança de Stannis é comportamental e política.
No encontro com Renly, ele apenas tem o apoio de Melisandre, enquanto Renly acha suficiente levar apenas Brienne. O Baratheon mais novo está ricamente vestido, acompanhado da porta-estandarte vestida em armadura azul, enquanto Stannis era acompanhado da mulher vermelha e trajava-se com simplicidade. A simbologia já denunciava a polaridade.
No encontro com Penrose, no entanto, o rei defronta seu adversário cercado de nobres com armaduras garbosas, a ponto de o próprio Stannis parecer “deslocado naquela companhia rica e régia”, salvo pela coroa, que lhe emprestava “um certa grandeza” (ACOK, Davos II). Caso não estivesse cercado por estes senhores, é bastante possível que não houvesse grandes contrastes entre Sor Cortnay e o rei Stannis.
A forma como o Rei do Coração Flamejante entra na negociação também difere nas duas cenas. Com rei Renly, Stannis inicia o debate com a intenção de ser mais brando com o irmão do que havia anunciado:
– Não negociarei com Renly – respondeu Stannis num tom que não admitia discussão. – Pelo menos enquanto ele se disser rei.
(ACOK, Prólogo)
– Não tenho qualquer querela com Renly, se ele se mostrar respeitador. Sou seu irmão mais velho, e seu rei. Desejo apenas o que é meu por direito. Renly deve-me lealdade e obediência, e pretendo conquistá-las. Dele e desses outros senhores […].
(ACOK, Catelyn III)
Entretanto, conforme rei Renly demonstra a intenção de debochar e humilhar o irmão (que também o insulta severamente, diga-se de passagem), este expressa arrependimento em ter deixado o irmão mais novo sequer abrir a boca:
– Jurei que nunca lidaria com você enquanto usasse sua coroa de traidor. Gostaria de ter mantido essa promessa.
(ACOK, Catelyn III)
Vale ressaltar, todavia, que Stannis já demonstrou aqui não ser a pessoa inflexível que falam que ele é. Renly está sendo tão intransigente quanto ele e ambo estão oferecendo a senhoria de Ponta Tempestade um ao outro. O grande problema com Renly é que ele não tem nenhum pudor em reconhecer a ilegalidade do que está fazendo, especialmente porque ele mesmo admite não acreditar na bastardia de Joffrey, Myrcella e Tommen:
Nunca suspeitei que fosse tão esperto, Stannis. Se ao menos fosse verdade, seria realmente herdeiro de Robert.
Se ao menos fosse verdade? Está me chamando de mentiroso?
Pode provar alguma palavra dessa fábula?
Stannis rangeu os dentes.
(ACOK, Catelyn III)
Ao não reconhecer as acusações de bastardia dos filhos de Cersei, Renly não só está reconhecendo que está pulando o irmão mais velho, como está admitindo sem vergonha alguma que pretende usurpar o Trono de quem ele mesmo pensa serem os herdeiros legítimos de Robert.
Diante de tudo isso, Stannis ameaça raivosamente o irmão e chega a puxar sua espada para o irmão que carregava apenas um pêssego. Essa precipitação para a arma dá lugar a uma explosão de raiva e ameaças que encerra as negociações com um tom funesto. Mais tarde, Stannis diria que o pêssego do irmão seria uma memória que levaria para a tumba, alegando que não conseguia entender o seu significado.
Apesar de que GRRM já tenha dado uma explicação para o que Renly queria com o gesto, eu tenho para mim que a razão que a experiência tenha causado forte impressão em Stannis foi a realização de que ele quis a morte de Renly a partir daquele instante. Mas a realização do seu desejo acabou custando muito de sua paz de espírito e o preenchendo com a culpa, por mais que ele procure ativamente se convencer de que não teve nada com o ocorrido:
Basta! – Stannis retrucou. – Foi vontade do Senhor da Luz que meu irmão morresse pela sua traição. Quem cometeu o ato não importa. [...]
Se alguém dissesse que eu tinha me transformado num javali para matar Robert, provavelmente acreditariam nisso também.[...]
Só Renly conseguiria me irritar tanto com um pedaço de fruta. Ele condenou-se a si próprio com a traição que cometeu, mas eu gostava dele, Davos. Sei disso agora. Juro, irei para a cova pensando no pêssego do meu irmão.
(ACOK, Davos II)
Outro fato que eu acho que pesa na consciência de Stannis é que, por mais que ele propague aos quatro ventos que sua cruzada pelo Trono não motivada pela ambição, mas pelo dever, nos sabemos que isso não é verdade.
O Rei do Coração Flamejante é lembrado por dizer que, embora não tenha escolhido ser rei, esse tipo de questão não tem relação com a vontade. Mas isso é o que ele fala quando ele é o beneficiário da situação. Quando outra pessoa é a agraciada com títulos, Stannis pensa diferentemente, como ele deixou claro para Catelyn:
[…] Eu é que devia ter sido Mão de Robert.
Isso foi vontade de seu irmão. Ned nunca quis o cargo.
Mas o aceitou. Aquilo que devia ter sido meu. Mesmo assim, dou-lhe minha palavra, terá justiça por seu assassinato.
(ACOK, Catelyn III)
Assim, quando passou a ser atormentado com pesadelos vívidos em que assassinava seu irmão, rei Stannis deve ter passado a achar mesquinhos os motivos que o levaram a utilizar dos poderes de Melisandre.
Diga-se de passagem, o simples fato de Stannis ter lançado mão de feitiçaria para eliminar Renly e Cortnay deveria ser suficiente para desmontar a sua fama de homem honrado. Requer uma grande dose de hipocrisia para que até mesmo o próprio Stannis acredite que não maculou sua autoimagem.
Na verdade, neste capítulo vemos o próprio Stannis informar o leitor que sua tão reverenciada imagem de homem rígido, justo, austero e cumpridor do dever convencia muitos, mas não a seus irmãos. De fato, Stannis justifica não ter levado suas suspeitas da bastardia dos filhos de Cersei a seu irmão mais velho porque Robert poderia desconfiar dele:
A consideração que meu irmão tinha por mim nunca passou de dever – Stannis respondeu. – Vindas de mim, tais acusações pareceriam impertinentes e interesseiras, uma maneira de me colocar em primeiro lugar na linha de sucessão. [...]
(ACOK, Catelyn III)
Mas, justiça seja feita, talvez esta desconfiança tenha sido desenvolvida quando Stannis criou o hábito de suplicar a Robert que Ponta Tempestade lhe fosse passada, de modo que tudo pode não ter passado de uma desconfiança tola de Robert.
E Stannis sempre se sentiu espoliado de Ponta Tempestade – Cersei disse, pensativa. – A sede ancestral da Casa Baratheon, legitimamente sua… Se soubesse quantas vezes foi até Robert para cantar essa canção tediosa naquele tom sombrio e ofendido que tem. Quando Robert deu o lugar a Renly, Stannis apertou tanto os dentes que pensei que fossem se estilhaçar.
(ACOK, Tyrion III)
De todo modo, o que estou especulando é que a culpa esteja pesando forte na consciência de Stannis, a ponto de que o subconsciente esteja dando combustíveis aos pesadelos sobrenaturais que lhe tiram o sono. Porém, nem mesmo isso parece ter sido suficiente para impedir o Rei e Melisandre de empregarem o mesmo truque novamente 15 dias depois.
A dinâmica com Sor Cortnay Penrose não repete os mesmos problemas e questões havidos com Renly, mas tem o mesmo desfecho. Ainda assim, curiosamente, Stannis parece menos ávido em matar Cortnay.
Não só a conversa termina em ameaças mais amenas do que o ultimato na ponta da espada proferido contra Renly, como Stannis passa o capítulo quase inteiro buscando alternativas de como lidar com o cavaleiro de forma limpa – mesmo já sabendo de antemão que poderia utilizar as sombras de Melisandre.
O castelo cairá. Mas, como fazê-lo rapidamente? – Stannis cismou com aquilo por um momento. Sob o ritmado clac-clac dos cascos, Davos conseguia ouvir o tênue som do rei rangendo os dentes. – Lorde Alester insiste para que traga aqui o velho Lorde Penrose. Pai de Sor Cortnay. Conhece o homem, creio? [...]
O que você me aconselharia a fazer, contrabandista?
(ACOK, Davos II)
Por que Stannis estava mais diplomático com Sor Cortnay do que com o próprio irmão?
Poder-se-ia alegar, em primeiro lugar, que o ritual para matar Renly havia tido um custo muito alto que o rei não desejava pagar novamente. E, com efeito, Davos nota um envelhecimento muito preocupantes de seu suserano.
E ele também parece meio cadavérico, anos mais velho do que quando parti de Pedra do Dragão. […] visto de perto, Stannis parecia pior do que Davos julgara de longe. Seu rosto tinha se tornado macilento, e possuía círculos escuros sob os olhos.
(ACOK, Davos II)
Outra razão que podemos arguir seria que Sor Cortnay era um homem fiel a seus princípios e tão teimoso quanto o próprio Stannis. Assim, o rei estava prestigiando um homem de nascimento não tão alto quanto seu irmão por conta de sua o cavaleiro estava assumindo o papel que o próprio rei havia feito no passado, com a mesma tenacidade.
Por fim, penso que é possível especular que Stannis estava mais confortável agora que Melisandre havia lhe dado os 20 mil homens que prometeram. Com uma única tacada, Melisandre deixou o rei mais confiante em suas leituras das chamas e saciou sua sede por apoio.
Qualquer que seja o motivo, os diálogos entre Davos e o rei nos dão uma dimensão de Stannis que não havíamos experimentado até então. Vemos Stannis mais calmo, agindo no comando de vassalos de sua própria região que o haviam traído e recusado em prol de um notório usurpador. Guardadas as devidas proporções, são as mesmas circunstâncias em que Stannis assumiria o governo do reino caso sentasse no trono e ele não sai fazendo justiça cega como alardearam Varys e Mindinho a Ned Stark.
Na verdade, Stannis se mostra incrivelmente flexível e pragmático. O rei fala que concede perdões que o enojam somente para obter apoio.
Os senhores meus vassalos são inconstantes até em suas traições. Necessito deles, mas deve saber como me enoja perdoar gente assim quando puni homens melhores por crimes menores.
Até mesmo a inutilidade dos conselhos dos novos súditos é encarada pelo rei com simples tom de escárnio e uma boa dose de permissividade.
As mulas adoram o som de seus zurros, por que outro motivo? E eu preciso delas para puxarem minha carroça.
A pessoa que vemos e ouvimos em nada se parece com o homem verdadeiramente justo que Varys nos acautelara a temer. Na verdade, Stannis reflete sobre a justiça que aplicou a Davos, em razão da vida de crimes deste, mas não se propõe a nenhum ato real além de dizer que não se esquecerá da ofensa.
Um bom ato não lava os maus, e um mau não lava os bons. Cada um deve ter sua recompensa. Você foi um herói e um contrabandista – olhou de relance para trás, para Lorde Florent e os outros, cavaleiros do arco-íris e vira-casacas, que o seguiam a distância. – Aqueles senhores perdoados fariam bem em refletir sobre isso. Homens bons e leais lutarão por Joffrey, considerando-o erroneamente o legítimo rei. Um nortenho até pode dizer o mesmo de Robb Stark. Mas estes senhores que se reuniram aos estandartes do meu irmão sabiam que ele era um usurpador. Viraram as costas ao seu legítimo rei por nenhum motivo melhor do que sonhos de poder e glória, e eu tomei nota do que eles são. Perdoei-lhes, sim. Estão desculpados. Mas não esqueci.
Por fim, quando nenhuma se alternativa melhor do que a feitiçaria se apresenta, Stannis volta a depositar a questão nas garras de seu “falcão vermelho”, que estava certo e lhe trouxe 20 mil homens. A confiança na sacerdotiza fica tão alta que Stannis se permite pela primeira vez reproduzir o discurso cíclico R’hllorista.
Há luzes que lançam mais do que uma sombra. Ponha-se em frente da fogueira da noite e verá por si próprio. As chamas mudam e dançam, nunca estão quietas. As sombras crescem e encolhem, e cada homem lança uma dúzia. Algumas são mais tênues do que outras, é tudo. Pois bem, os homens lançam também as suas sombras sobre o futuro. Uma sombra ou muitas. Melisandre vê todas.
[…] Será possível que Sor Cortnay procure uma maneira de se render com honra? Mesmo que isso signifique sua vida?
Uma expressão perturbada cruzou o rosto do rei como uma nuvem passageira.
O mais provável é que planeje alguma traição. Não haverá nenhum combate de campeões. Sor Cortnay estava morto antes mesmo de arremessar aquela luva. As chamas não mentem, Davos.
E no entanto precisam de mim para que se tornem verdadeiras, pensou. Há muito tempo Davos Seaworth não se sentia tão triste.
Quando Ponta Tempestade finalmente cai para as sombras assassinas de Melisandre, ficamos sabendo em segundo mão que Stannis concedeu a Melisandre permissão para queimar “o bosque sagrado em Ponta Tempestade como oferenda ao Senhor da Luz” (ACOK, Tyrion XI). Essas pequenas permissões se parecem bastante com os mimos que Victarion Greyjoy pensa estar fazendo a Moqorro cada vez que o sacerdote o ajuda a capturar um navio.
Portanto, a influência da mulher vermelha sobre Stannis vem crescendo conforme ela se mostra eficiente, de forma que Melisandre vai se tornando cada vez mais exigente em seus mimos.
Por fim, quero propor uma reflexão: Por que Cortnay Penrose se negou a entragar Edric Storm a Stannis?
– O bastardo do meu irmão deve ser entregue a mim.
– Neste caso, minha resposta continua a ser não, senhor.
(ACOK, Davos II)
­ Ele acha que Stannis fará algum mal a Edric? Ou tem a ver com o nojo que Stannis sente por bastardos (ou por aquele bastardo em específico)?
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2020.06.15 02:35 Aninha7080 Meu mico kkk (é bem longa a hitória)

Hola Luba (vc tá precisando), editores maravilhosos, gatas pspspspspsps, finados papelões, mouse e teclado gaymers, boné do FBI e turma que está a ver. Antes de começar a história, acho que vc precisa saber que eu moro no RS, ent vc já sabe neh? (se eu tiver a sorte de aparecer nos vídeos do NOSSO deus barbado.) Senta que a história é grande...
O tapa, a merda e o sangue
Contexto: meus pais se separaram quando eu tinha 2 anos, e nesse meio tempo meu pai teve muitos, mais muitos relacionamentos fracassados. A Farls (mais recente namorada dele que está com ele até hj) me odeia, mesmo eu tentando me aproximar com ela a minha vontade era de gritar na cara dela "EU NÃO ESCOLHI NASCER POHA, SINTO MUITO QUE EU SOU FILHA DO SEU NAMORADA EM OUTRO RELACIONAMENTO".
Mas enfim... Meu pai tem alguns amigos que tem um pouco mais de dinheiro que nós, o que nunca teve problema nem um já que todos repartimos valore gastos em jantares e coisas do tipo e realmente não temos brigas por causa disso. Um desses amigos tem uma casa enorme em um condomínio em uma praia, onde vamos passar alguns fim de semanas (como sou a mais velha entre os filhos dos amigos, sou a babá de uma criança de 1 ano, dois de 2 anos, dois de 9 e uma de 10).
Mais um sábado normal por lá, eu pleníssima no meu quarto só esperando meu pai vir me chamar pra cuidar daqueles pivetes, lembro que tenho uma barra inteira de chocolate na mochila e penso "hum, pq não?". Comi a barra inteira, e só aí que fui me tocar que tinha esquecido meus comprimidos (sou intolerante a lactose e uma chocolatra, combinação mais perfeita não existe!) na minha casa, mas pensei que não iria ter problema, afinal aquilo já tinha acontecido e nunca deu em nada. Luba Luba Luba, no fim da tarde me deu uma pontada no furrobi, e eu experiente em cagadas como sou corri para o banheiro que era conectado ao quarto onde eu estava dormindo, sentei na privada e esguichou merda. Caguei e caguei, saí de lá uns 3k mais leve (talvez eu tenha exagerado), puxei a descarga e continuei vivendo.
Um tempo depois o Barls (um dos pivetes) começou a me irritar, dizendo coisas do tipo "eu vou te bater se continuar não querendo ir onde eu quero!), "a casa é minha não sua, então vc tem que me obedecer) e coisas do tipo, ent eu como da dama fina e requintada que sou gritei "CALA A BOCA SER MERDA!" e dei um tapa nas costas daquele guri mimado, ele obviamente saiu chorando e foi contar para os pais deles e eu fui pro meu quarto, quando do nada me pai entra e me da um baita de um esporro dizendo sobre como eu não poderia fazer aquilo com uma criança e tals.
Umas horinhas se passaram e eles começaram a brincar de esconde-esconde e ficavam entrando todo hora no meu quarto para se esconder atrás da porta, no armário e no banheiro, e foi em uma dessas que a Zars começa a gritar dizendo ''tem um cocô enorme dentro da privada!!!". Eu na hora me toquei sobre o que tinha acontecido e mandei eles saírem do quarto, tranquei a porta e saí correndo tentar desentupir a privada, sem sucesso, quando meu bate bete na porta e eu com muita vergonha vou até lá abrir. Ele entrou no quarto sem falar nada, foi até o banheiro, fez o trabalho sujo e quando saiu de só uma risadinha, do meu quarto escutei ele na sala dizendo "tá tudo resolvido".
Só queria um buraco pra me enfiar. Mais tarde minha madrasta vem me chamar pra jantar, e tendo batido no filho do dono da casa e entupido a privada não queria sair de jeito nem um, mas n tive escolha. Fiquei evitando contato visual com todos o jantar inteiro, e ainda por cima fui a última a sair da mesa. Como tradição não sei de quem que inventou essa merda, quem sai por último lava a louça, ent fui lá lavar a louça enquanto todos (na minha cabeça) me encaravam. Nesse meio tempo minha madrasta ficava fazendo piadinhas sobre a merda o que me deixou muito puta mas superemos, enquanto ela ria, eu ria junto fingindo estar emocionalmente bem.
Agora é a hora que chega o sangue, como de costume, todo mês recebo um selo vermelho dizendo que ta tudo bem lá em baixo, n percebi que estava naqueles dias gloriosos, e quando me viro, vejo a cadeira onde eu estava sentada (aquelas de almofadinhas de gente rica sabe?) encharcada de sangue, e como uma pessoa normal, saí correndo pro quarto. Detalhe eu estava usando o short favorito da minha madrasta pois n tinha levado nem uma bermuda, só calças e estava muito calor.
Eu continuo indo frequentemente indo pra lá, inclusive, adivinha onde eu estou agora? Isso mesmo! Em casa, onde vc também deveria estar. É isso Lubixco, te amo, te amo =30
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2020.06.03 01:25 epilef_backwards Sobre Boku no hero e shounens.

Um objetivo sem planos é chamado de delírio.
Um dos desafios ao revisar um shounen é entender até que ponto podemos relevar certas coisas tendo em mente que o anime foi feito apenas para vender. A história é bem óbvia: os shounens explodiram na época de 90 com Naruto, DBZ, CDZ, bleach, entre outros, fato que fez que muitos outros shounens começassem a serem lançados seguindo os princípios dos que estavam em alta. Isso significa que, embora os primeiros shounens famosos já usassem clichês, tais clichês ainda não eram clichês no mundo dos animes porque não haviam tantos animes que o usassem. Em outras palavras, é por causa do sucesso estrondoso desses shounens que boa parte dos seus sucessores utilizaram as suas principais características (personagens piadistas, tramas simples porém que podem ser prolongadas por tempo quase indeterminado, personagens secundários aparecendo basicamente todo episódio e todos os demais clichês do gênero). E isso fala muito sobre o problema geral desse tipo de anime: essencialmente, 90% deles possuem os mesmos elementos narrativos e se diferenciam apenas pela maneira como eles desenvolve (ou não) esses elementos. É claro que existem elementos básicos para o anime ser considerado do gênero, porém obviamente não são desses que eu falo. Existe a possibilidade de fazer um shounen sem se importar apenas com combates (usando poderes mágicos ou nao) escatológicas (dicas pessoais: fullmetal alchemist brotherhood, Hunter x Hunter, Noragami e Haikyuu!!). É claro que nem todo anime de shounen vai ser um transformers em versão de anime, no entanto, ninguém se refere a shounen como sendo no sentido de "ser feito para adolescentes". Ao menos neste texto esse sentido real não será utilizado.
E falando sobre shounens, o texto que está sendo escrito irá comentar sobre um dos mais famosos dos últimos 10 anos: Boku no hero academia. Bem como os demais textos, vou trazer uma visão unicamente crítica sobre o show, ou seja, o valor de entretenimento em nada conta para esse review. Vamos lá.
Bem como quase todos os shounens existentes, BNHA apresenta problemas narrativos. A premissa é a mais simples possível: pessoas começaram a nascer com poder do nada e, nos dias atuais, quase todos apresentam poderes. Quase todos, claro, excluindo o protagonista, o qual mais do que qualquer um sonha em ser um herói (mesmo que sem poderes). Essa trama não é de nenhuma maneira inovadora ou brilhante, contudo, cumpre com o papel com o "potencial para infinitos episódios" que eu mencionei acima. Tampouco não somente o anime não inova de maneira nenhuma no que a trama como ele não inova no uso dessa trama. Simplesmente temos o personagem mais clichê possível com o desenvolvimento mais clichê possível dentro da trama mais clichê possível. É importante ressaltar, antes de ir mais a fundo no show, que sim, eu sei que a primeira temporada é mais lenta e com menos clímax do que as demais porque os produtores pensaram em continuar a obra, porém isso não serve como desculpa para nada. Um anime com previsão de ter uma segunda temporada é diferente de um anime separado em 2 cours. É claro que eu não analiso somente a primeira parte de Asterisk war, porque justamente a história foi separada em dois apenas para condizer com o tamanho padrão dos animes. No caso de BNHA, as temporadas são independentes e, portanto, podem ser analisadas de maneiras individuais. E sendo bem sincero, nem considerando que ele foi dividido em dois eu consigo ajudar muito esse show.
Contudo, o início do anime engana bem o espectador. Por alguns episódios eu realmente acreditei que poderia presenciar um shounen mais focado no significado de ser um herói ao invés de um plot completamente rushado, sem graça e, novamente (sim, eu vou repetir muito essa palavra), clichê. Essa animação minha, por assim dizer, veio por duas principais razões: o bom trabalho de criar um laço entre o espectador e o personagem principal e o potencial de unir a ideia de "o quê significa ser um herói" com o fato de o All Might apresentar esse tipo de pensamento.
O primeiro ponto foi o melhor trabalho da obra. Rapidamente somos ambientados à vida de Midoriya e o seu sonho de ser um herói. A direção faz um trabalho sagaz no uso constante de flashbacks ao invés das exposições baratas comuns do gênero. Mesmo que seja um passado comum a esse tipo de personagem, compramos os sentimentos do Midoriya como sendo os nossos e isso faz que, mesmo no primeiro episódio, já torcemos pelo personagem. Contudo, essa empolgação acabou com o "treino" dele, mas já irei falar sobre esse "treinamento".
O segundo ponto foi algo completamente desperdiçado pela obra (ao menos na primeira temporada). Isso porque a filosofia do "ser um herói" é o que mais apresenta potencial nesse tipo de show, e isso poderia ser muito bem trabalho pela visão do All Might ao longo do treinamento do personagem principal, sobretudo porque ele mesmo aparenta ter uma visão diferenciada sobre o que significa ser um herói. Infelizmente, o anime não aproveita esse potencial e corre às cenas clichês de escolas de heróis e o usual rush no plot.
Lembram do treinamento? Eu costumo pensar que a qualidade de um shounen é definida na atenção dada ao treinamento do personagem principal (ou ao que quer que seja que desenvolve e aprimora os poderes do personagem principal). Se o anime utiliza o treinamento só como formar de fazer piadinhas e tiradas do protagonista tendo problemas no treino e esquece do que realmente significa um treino para um herói, existem consideráveis chances do anime só permanecer no básico do básico do gênero. Isso porque a maneira como o roteiro lida com o desenvolvimento do personagem mostra muito da maturidade (ou falta dela) do roteiro. Em outras palavras: se o roteiro não se importou com a parte mais rica e com maior potencial de desenvolvimento, ao menos inicial, do personagem, muito provavelmente ele não vai se importar com esses fatores no resto do show. E é exatamente isso que acontece em BNHA. O treino do Midoriya é utilizado para dois principais fatores narrativamente falando: para ele conseguir chegar em um ponto no qual ao menos possa utilizar parte dos poderes do All Might e para nós, espectadores, criarmos um vínculo com o personagem, já que o mesmo está se esforçando e se provando a cada dia. O problema é que é impossível haver uma seriedade e uma ligação entre nós e o personagem se o roteiro e a direção colocam uma piadinha a cada 15 segundos e, inclusive, em cenas importantes do ponto de vista da formação da conexão entre nós e o Midoriya. Além disso, essas piadinhas completamente desnecessárias desmoralizam o personagem e nos fazem pensar mais que ele é apenas um chorão do que alguém que passou por um treino intenso durante 10 meses. E você, leitor, sabe o motivo? O motivo é o principal problema envolvendo a evolução dos personagens em shounens: eles só desenvolvem músculos e habilidades. Quero dizer com isso é que não existe apenas transformação física. Um treino pesado e focado cujo objetivo é alcançar o seu sonho como o praticado pelo protagonista NECESSARIAMENTE altera a sua maneira de pensar, a sua maneira de agir e quem ele realmente é. Isso se chama ser humano, isso se chama ser um bom personagem. No entanto, o que acontece em 98% dos casos é que o protagonista passa por um treino intenso e que envolve N emoções e ele não muda em nada, ele continua como sendo alguém que ao olhar para o primeiro monstro fica como um covarde. Ora, o maior desafio da vida dele ele já enfrentou. Como pode o mesmo personagem que retirou motivações de canto nenhum, que lutou meses/anos em um treino sobre-humano, que teve que encarar suas frustrações e seus medos de frente continua sendo uma completa criança? No caso de BNHA, Midoriya é treinado pelo maior super herói de todos os tempos, o qual mais é usado pelo roteiro como Deus Ex-Machina ambulante e como fonte de piadinhas completamente estúpidas e irritantes, e em nada apresenta uma mudança de pensamento, atitude e em sei psic. Isso acaba com os dois pontos positivos citados sobre o início da obra. Se, em primeiro plano, isso problematiza a relação entre nós e o protagonista ao não humanizá-lo, em segundo plano temos que o potencial do All Might trazer uma filosofia diferenciada sobre um herói é apagada porque o maior herói da história é uma criança. Porém, o treinamento do protagonista é só a parte superior de um iceberg.
Logo após o treinamento dele acabar, temos o teste de admissão da principal academia de heróis e os acontecimentos dentro da academia. É claro que as situações que levam o protagonista a conhecer seus amigos são as mais clichês possíveis (sim, tem aquilo do protagonista tropeçar e conhecer a menina. A única diferença é que ao menos tiveram a sensibilidade de não colocar ele caindo em cima de uma parte íntima dela) e existem centenas de convenções que me fazem parecer que alguém escreveu a história do Midoriya foi escrita para ser vend...oh, wait...
De qualquer modo, o anime segue o típico passo de um anime de escola mágica com os testes, acontecimentos aleatórios planejados pelos vilões e cenas do protagonista e os demais personagens da obra. Falando em personagens, não há nenhum tipo de inovação na personalidade e na profundidade dos personagens. Em fato, retirando o Midoriya e, entre MUITAS aspas, o seu rival Bakugou, os demais personagens são os mais planificados e simplórios imagináveis. No entanto, o roteiro apresenta um ímpeto inexplicável de tentar dar importância a todos os demais estudantes da classe do protagonista, fato que impede que possamos ter tempo para os personagens que realmente são importantes para a trama. Sendo bem sincero, depois dos primeiros dois episódios, o que o show apresenta consiste exatamente em: 2 episódios do treinamento desperdiçado e a entrada do Midoriya na academia + 5 episódios de absolutamente nada, nenhum desenvolvimento de personagem, nenhum aumento de tensão da trama com a inserção de qualquer perigo e muito menos qualquer tipo de discussão mais profunda sobre o "ser um herói" + 3 episódios de um vilão completamente sem graça, não ameaçador e uma luta na qual o All Might ganha na base do grito. É, é literalmente isso o máximo que o roteiro conseguiu fazer. O único ponto de desenvolvimento de personagem foi o Midoriya deixando de ser um completo chorão de um momento para o outro porque o roteiro precisava que ele fosse minimamente corajoso para enfrentar a Liga dos Vilões nos últimos episódios.
Comentando sobre esses últimos 3 episódios, eles falam muito sobre a obra e sobre os shounens no geral. O plot desse anime é completamente ridículo e consiste no pior problema do show. Perceba que, até o episódio 10, o anime progrediu um pouco em termos de trama e, embora tenha sacrificado o ímpeto dos primeiros dois/três episódios, conseguiu manter um clima convidativo e clássico dos shounens. Até aí, era apenas mais um shounen comum. No entanto, mesmo os shounens mais descuidados e de baixa qualidade conseguem preparar minimamente o seu plot e se utilizam de vilões minimamente desafiadores. O que tivemos em BNHA foi uma ausência da preparação do desafio da série e a sua repentina aparição como algo que promete que vai dar trabalho, porém, quando vamos ver, já apanhou feito cachorro de rua. Isso porque o roteiro "apresenta" o "vilão" da temporada da maneira mais patética imaginável. Quer dizer então que a melhor escola de heróis do país permite que um indivíduo exploda o portão dela, permita a entrada de dezenas de pessoas da mídia e o diretor do colégio termina o último episódio com um rostinho feliz dizendo que todo mundo fez um bom trabalho? Ou então que literalmente um cara coberto de mãos/uma criatura gigantesca com o cérebro para fora/quem quer que seja que tenha destruído a porcaria do portão não foi em nenhum momento questionado pela própria mídia? Ou então que literalmente o mesmo cara que destrói o portão consegue tantas informações sobre o colégio que sabe a hora exata em que sua vítima vai estar em certo local e não há nenhum tipo de suspeita de espionagem ou de conspiração contra a instituição? Que tipo de maior escola de heróis é essa que sequer se preocupa com a sua segurança e permite bandidos entrarem nela sem nenhum tipo de resistência? Mas relaxe, tem coisas piores que essa. Uma delas é a cafonice do vilão. Sem nenhum tipo de profundidade ou motivação real, ele só não é comparável com os seus capangas porque esses lembram aqueles que eram presentes nas animações americanas da década de 60 e só servem de saco de pancada para adolescentes com os poderes mais aleatórios e inúteis imagináveis (sério que trocentos vilões perderam para uma garota que tem um plugin no calcanhar e outra que cria uns pedaços de ferro do nada? Me poupe...uma coisa são os vilões perderem para o garoto do gelo, outra completamente diferente é uma cacetada de vilões que fazem parte de uma Liga de Vilões perderem para um moleque de 15/16 anos que tem um rabo de pelúcia...). Na realidade, eu sequer sei o motivo de estar falando sobre profundidade e motivação dos vilões quando o anime nem nos apresenta devidamente quem eles realmente são. Há o narrador dizendo os aspectos mais básicos possíveis dele e ponto, isso é tudo que sabemos dos vilões da primeira temporada.
Porém, se os vilões patetas já eram um problema, o anime consegue selar o seu plot como algo completamente abominável ao utilizar todos os possíveis e imagináveis clichês envolvendo um herói vs alguém mais forte que ele. É exatamente isso que você pensou: o herói do dia (que, ao menos, o roteiro teve o mínimo bom senso de não colocar como sendo o Midoriya) ganha força do nada e transcende a natureza humana para derrotar um adversário muito mais forte que ele, algo que, definitivamente, não foi feito já em outros 10 mil casos de animes shounens e que com certeza não se configura como um claro momento de falta de criatividade do roteiro. E o pior: diferentemente de Kimetsu No Yaiba, aqui apenas a música salva. Na realidade, eu devo dizer que 80% do meu envolvimento emocional nas partes mais "épicas" do anime se deu pela You Say Run. Essa música é simplesmente muito boa e ela literalmente carrega o plot pateta do anime nas costas.
Veredito
BNHA é mais um dentre os milhares de shounens que mais fazem coisas erradas do que acertam. O que mais me deixa chateado nessa caso é que, ao contrário da maioria dos animes de escolas, BNHA consegue fazer o espectador entrar na história do protagonista, o que deveria ser o ponto de ignição para um anime de ação diferenciado dos demais. Infelizmente, após os primeiros 50 minutos dentro da história, o show caí em todos os clichês de gênero imagináveis e termina com um plot completamente patético, previsível e sem nenhum tipo de conexão à trama e às discussões que o anime poderia ter trazido.
Se você é uma pessoa que gosta de shounens, não há nenhum motivo para você não assistir BNHA; pelo contrário, BNHA é exatamente tudo aquilo que pessoas que gostam de shounens querem ver: personagens engraçadinhos, músicas boas, uma filosofia de fundo que aparenta ser profunda e porradaria. No entanto, se você, assim como eu, se encontra um pouco saturado de shounens, não perca seu tempo assistindo Boku no hero academia, pois ele é exatamente o motivo de tal saturação.
Notas individuais
-Roteiro: 3
-Direção: 4
-Animação: 7
-Trilha sonora: 8
Nota final: 4,5.
Review escrita dia 2 de junho de 2020.
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2020.04.16 21:57 KunitoRabbit A pessoa mais odiada da cidade

Oi, esse título te chamou atenção, né? Mas, não é uma mentira, eu provavelmente sou a pessoa com a pior reputação da cidade, tudo por causa da minha mãe e das minhas doenças psicológicas.
Eu tenho 18 anos, moro em uma cidade de interior, fui diagnosticado com depressão hereditária aos 13 anos, se isso já não fosse ruim o bastante, dos 13 até os 18, consegui mais um monte de problemas psicológicos por conta de parentes e pessoas que me fizeram mal, principalmente a minha mãe.
Eu fui adotado aos 2 anos de idade, porque minha mãe de sangue não tava conseguindo se manter estável emocionalmente e financeiramente depois que o meu pai cometeu suicidio. A pessoa que me adotou, e atualmente é a minha mãe, sempre foi uma pessoa extremamente abusiva e violenta comigo, além de ser uma mulher extremamente soberba, egocêntrica e mentirosa. Ela me criou a base de violência fisica e psicológica, chegando a me agredir e me fazer virar a noite trancado no banheiro depois de tomar uma surra, mesmo que eu não tenha feito nada, além de inventar muitas mentiras sobre mim desde sempre pras pessoas, pra fazer ela parecer ser uma mãe exemplar cuidando de um garoto problemático. Eu cresci tendo que aprender a fazer tudo sozinho, aprender o caminho pra escola (deixar uma criança de 6 anos ir pra escola sozinho a pé não é uma boa ideia, tive sorte de nunca ser sequestrado ou atacado por alguém) aprender a cuidar de machucados ou doenças, (ela não me dava remédio algum quando eu ficava doente ou me machucava, então eu tinha que contar com a sorte e rezar pro meu sistema imunológico ser mais forte que a doença que eu contraia) além de sempre me deixar trancado em casa quando ela saia, até mesmo a noite (as vezes ela saia a noite e só voltava no outro dia, eu tinha muito medo do escuro porque meus vizinhos me forçavam a assistir filmes de terror muito violentos, eu chegava a acordar de madrugada sozinho em casa e ficar chorando encolhido no canto da parede, rezando pra que nenhum demônio me encontrasse)
quando eu completei 13 anos, eu já era crescido demais pra minha mãe conseguir me bater, então ela descontava isso em xingamentos e difamação contra minha pessoa. Nessa época eu era amigo de um guri que pertencia a uma das familias mais ricas da cidade, a mãe dele me adorava,porque eu sempre era muito comportado e educado como visita. Um dia a mãe desse guri me levou junto com ele pra um parque aquático e me perguntou seriamente se ela queria que ela me adotasse, parecia uma oportunidade maravilhosa, não é? E realmente era, dinheiro, familia legal, mansão, realmente uma vida dos sonhos... mas eu neguei, mesmo com tudo que a minha mãe fez comigo, eu não queria "fugir" pra outra familia, porque eu achava que podia mudar o tipo de pessoa que ela era, e não queria a abandonar, mas eu tava errado, ela não mudou nada.
1 ano depois, com meus 14 anos, na noite anterior ao meu aniversário, eu estava com fome, não tinha janta feita, então perguntei a minha mãe onde estava o copo da cafeteria, porque eu iria comer biscoitos com café e tentar dormir, ela não me disse onde estava porque não queria que eu tomasse café, eu acabei encontrando o copo, e quando ela viu, tentou tomar ele das minhas mãos, eu falei que não ia largar porque eu queria comer, ela deu um soco na minha cara e eu a empurrei, ela começou a surtar e gritar, chorar e pedir ajuda dizendo que eu estava tentando matar ela, os vizinhos chamaram a policia, e quando eles chegaram, eu estava no meu quarto tomando café sentado na minha cama, entraram no meu quarto, e quando tentei explicar o que aconteceu, eles me puxaram pelo cabelo e começaram a me agredir de todas as formas, socos, chutes, cacetetes, 3 policiais enormes batendo em um garoto de 14 anos, eu não revidei, e ela sequer pediu pra eles pararem, quando se cansaram de me bater, me algemaram e me jogaram na cela do camburão. No caminho pra delegacia, eles começaram a falar coisas sobre parar pra me bater mais, sobre eu ser um merda que merecia morrer, nesse momento eu senti uma raiva enorme e comecei a gritar "vocês não entendem nada! Se acham os donos da justiça porque estão fardados, decidem quem é o culpado e a vitima só pelo que agrada vocês! Como podem falar de mim e dizer que mereço morrer se não sabem nem o meu nome!" Então, eles só me mandaram calar a boca e ameaçaram por uma arma na minha cara se eu não parasse de falar, quando chegamos a delegacia eu apanhei mais um pouco e tive que passar a noite na cela da delegacia, algemado. Esse foi o dia do meu aniversário, apanhei, sofri injustiça e descobri que o mundo não é menos cruel contigo mesmo que você seja o injustiçado. Eu abandonei o colégio que eu estudava, porque no dia seguinte a minha mãe retirou a queixa e eu pude voltar pra casa, fui pra escola, não contei nada pra ninguém do que aconteceu, e usei roupas largas e faixas por baixo da roupa pra esconder os hematomas e os cortes, infelizmente no meio de uma das aulas uma das minhas amigas de sala viu um hematoma enorme no meu pescoço e começou a me questionar oque tinha acontecido. O pessoal começou a me questionar junto com ela, eu peguei minha mochila e fui embora, parei de ir a escola porque não queria virar preocupação ou um problema pra ninguém. Não Queria incomodar as pessoas com os meus infortúnios, a semana inteira definitivamente foi a pior que vivi, virei noticia na rádio e no jornal da cidade, porque minha mãe distorceu a história e contou pra todo mundo que tentei matar ela por um motivo fútil, além de algumas pessoas que eu considerava amigos, se afastarem de mim e inventarem boatos pelas minhas costas. Fazendo assim eu me tornar a pessoa mais odiada da cidade.
Mas essa é só uma ponta das coisas ruins que já aconteceram comigo, e nem foi a ultima vez que eu acabei indo parar na delegacia. Se quiserem saber mais sobre as doenças que tenho ou as outras histórias, podem pedir ai embaixo.
Desculpem por ter feito um texto tão grande, é a minha primeira vez contando algo da minha vida pra alguém, e obrigado por ler!
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2019.06.23 23:56 d3rr1c53xpl0r3r Como tudo aconteceu (Na minha Cabeça)

Depois de ter ouvido todos os 24 episódios do Caso Evandro é impossível não formar uma narrativa própria na sua cabeça. Ao longo desses 24 episódios você transita entre a culpabilidade e inocência dos sete acusados. Impossível não, já que num caso tão conturbado quanto esse e com tantas variáveis fica difícil acreditar 100% em qualquer depoimento ou confissão. Pensei em esperar que todos os episódios saíssem antes de fazer esse post, mas aí lembrei que o Ivan mencionou que dará o seu parecer pessoal de como acha que as coisas aconteceram. Então para que não haja “Depois de ter ouvido fica fácil falar”, eu vou postar agora. Até para que eu não me influencie pela versão dele. Caso nos próximos episódios alguma coisa bombástica venha à tona e mude a minha opinião, eu irei colocar edits na minha postagem.
Só para que vocês entendam um pouco sobre mim venho de uma família umbandista e cresci entremeio sessões espiritas em casa, centros de umbanda e candomblé e “presenciei” sacrifícios de animais (Por ser pequeno na época, nunca me deixaram ver o ato, mas via o resultado nos dias seguintes. Como já ficou claro, as vísceras têm que ficar no alguidar por 3 dias antes de serem descartadas em água corrente, ou levadas a uma encruzilhada). Meu avô (Já falecido) era pai de santo e minha tia filha de santo e atendíamos apenas família e vizinhos próximos. Nunca tivemos um centro propriamente dito. E como isso já faz bastante tempo, obviamente algumas coisas me somem à memoria então fui pesquisar mais sobre o assunto.
Antes que eu comece, até para que vocês entendam um pouco melhor sobre as religiões Afro-Brasileiras, existem VÁRIAS vertentes. Sabe aquela coisa de brasileiro “gourmetizar” as coisas? (isso será importante na minha versão da história) Pois bem, com essas religiões não é diferente. Primariamente vieram da África com seus escravos TRÊS religiões, a Umbanda, a Quimbanda (ou Kimbanda) e o Candomblé. Sendo a umbanda e a quimbanda cultos semelhantes. Na “Umbanda Branca” temos o trivial de sessões espiritas, atendimento aos consulentes e o famoso passe (Algo apenas para dar uma paz de espirito a quem precisa, limpeza de aura e etc.) e oferendas à Yemanjá, Oxalá, Xangô, Ogum, Oxossi, Iori, Iorimá, que são as 7 linhas da umbanda. Na “Umbanda Negra” ou Quimbanda também há 7 linhas, todas chefiadas (encabeçadas) por diferentes Exus, que esses por sua vez em troca de sua sabedoria e conhecimento de outros Exus da gira (networking) pedem oferendas mais “caras”, oferendas de sacrifício de sangue. Dependendo do que lhes é pedido os tipos de oferenda variam desde uma simples galinha até humanos. Na África até hoje esses sacrifícios acontecem segundo o que pude encontrar (Não sei se é verdade). Eu poderia fazer um post apenas sobre isso, pois é uma assunto MUITO extenso e complexo. Pois bem, abaixo vocês podem conferir a minha versão do acontecido. Algumas coisas apenas os envolvidos sabem e ninguém NUNCA saberá a verdade.
Chega em Guaratuba no começo de Janeiro de 1992, o “Pai-de-Santo” e jogador de Búzios Osvaldo Marceneiro com sua então namorada Andrea Barros e os mesmos tentam estabelecer negócio na feira de artesanato no centro da cidade. Antes que os outros integrantes da feira se opusessem a permanecia de Osvaldo na feira, o mesmo conhece Beatriz Abagge que como declarou varias vezes gostava de misticismo e coisas do gênero. Após algumas leituras de Búzios os dois se tornaram próximos e assim começaram um relacionamento de amizade. Beatriz por sua vez leva seus pais a uma consulta em 29 de Janeiro de 1992.
Osvaldo por morar no imóvel de Carmelita Cristofolini, ficou sabendo do terreiro da Mae Hortência o qual Beatriz Abbage também frequentava. Carona vai e carona vem, já que Osvaldo não tinha carro (como declarou), os dois vão ficando cada vez mais próximos. Beatriz Abagge recém separada de seu noivo, estava obviamente em busca de respostas e um direcionamento em sua vida e recorreu a ajuda de Osvaldo nos búzios (Aquela coisa de mulher, “será que ele vai voltar”, “será que ele ainda gosta de mim” e etc.). Contundo Osvaldo oferece não apenas o consolo espiritual, mas também um consolo emocional e o que era amizade acaba se tornando um affair. Aí pronto, isso é o suficiente para que Beatriz comece mover montanhas por Osvaldo. Logo após isso os outros integrantes da feira de artesanato começam uma movimentação para que Osvaldo e Andrea sejam removidos da feira e com o apoio de Beatriz, Osvaldo vai à prefeitura de Guaratuba para pedir ao Prefeito Aldo Abagge que o conceda um alvará de funcionamento na Feira. Com isso Osvaldo conhece Davi Dos Santos Soares que era o Vice-Presidente do conselho dos artesãos e esses se tornam amigos. (Não sei ao certo, ou não me lembro de onde Vicente de Paula e Osvaldo se conhecem ou quando se conhecem). Pois bem, Osvaldo consegue a permissão para permanecer na feira lendo os seus Búzios.
Osvaldo, um jovem que na verdade era FILHO-de-Santo precisa se “firmar” para conseguir se tornar um Pai-de-santo propriamente dito e abrir o próprio Terreiro em Guaratuba com a ajuda de Beatriz Abagge. Osvaldo foi vulgarmente chamado de “pai-de-santo” por todos por ignorância dos que não conhecem como a religião de fato funciona. Só é considerado “Pai-de-Santo” quem tem um terreiro e passa por uma iniciação feita por um outro Pai-de-Santo que tem um terreiro em funcionamento. No caso da região de Guaratuba já existia um terreiro, o da Mãe Hortência, e por motivos não sabidos talvez a Mae Hortência não quis iniciar Osvaldo (O que já é um red flag). Pois bem, Osvaldo ambicioso e com sede de se estabelecer de vez em Guaratuba pois agora estava apaixonado por Beatriz vai atrás de informações para fazer a sua própria iniciação como Pai-de-Santo na umbanda. Entendam, para que alguém se torne Pai-de-Santo, o mesmo deve possuir amplo conhecimento sobre a religião, linhas de trabalhos, tipos de espirito, como proceder no caso de algo dar errado numa sessão, e principalmente, o quão forte o “cavalo” é, se aguenta a pressão imposta pelos espíritos. (Algo que não mencionei no texto acima sobre as religiões, é que Umbanda e Quimbanda se entrelaçam de uma maneira homogenia. Quem segue uma acaba seguindo a outra indiretamente, já que as duas juntas são o ponto de equilíbrio. Sendo uma sempre contraria à outra.).
Já envolvido com Vicente de Paula e Davi dos Santos Soares, Osvaldo começa a busca de sua primeira oferenda. Oferenda essa para se auto iniciar como Pai-de-Santo. Com isto, o menino Leandro Bossi desaparece em 15 de Fevereiro de 1992. Não temos detalhes sobre esse acontecido pois como tudo consta o menino Leandro continua “desaparecido”. Há “informações” de que o corpo havia sido descartado no mesmo rio onde o saco com partes de Evandro seriam encontrados mais adiante, porem nada de concreto foi constatado. Vale ressaltar que não acredito que Beatriz e Celina estejam envolvidas nesse desaparecimento, inclusive acho que Beatriz na época do ocorrido em Fevereiro não ficou sabendo que havia sido Osvaldo o responsável por isso, pois ate então os dois não eram tão próximos assim e obviamente Osvaldo não queria assustá-la. Pois entendam, somente quem segue a religião e a estuda, entende a razão do sacrifício e não encara isso como um crime, pois o está fazendo por suas crenças e o vê como necessário para obter o que almeja. (Não estou de maneira nenhuma defendendo a prática, e de fato apesar da religião requerer tais sacrifícios os mesmos não deverão ser praticados pois envolve o assassinato cruel de um semelhante. Aqui sem dúvida entra a linha tênue entre a crença e a moral do ser humano)
O menino Leandro continua desaparecido e ninguém tem pistas, apenas o relato de Diógenes de ter visto Leandro na garupa da moto com Osvaldo (?). Portanto esse acontecido segue em paralelo enquanto as vidas dos 7 acusados continuam e tudo está maravilhoso. Osvaldo, De Paula e Davi estava certos que nunca ninguém descobriria o que aconteceu, como de fato não descobriram, pois, o retrato do Menino Leandro Bossi continua na pagina do SECRIDE na seção de crianças desaparecidas, ou seja, não falecidas. Portanto não há materialidade para se constatar que um homicídio ocorreu.
Passam-se então quase dois meses até que cheguemos ao desaparecimento do menino Evandro Ramos Caetano. Nesses dois meses, na minha cabeça entendo que muitas coisas aconteceram, principalmente entre Beatriz Abagge e Osvaldo Marceneiro. Os dois com certeza se tornaram ainda mais próximos, porem Osvaldo tinha Andrea, a qual já suspeitava do affair entre os dois. Daí vem os relatos de ciúmes excessivo de Osvaldo e de possíveis agressões. Só quem trairia (ou trai), acha que está sendo traído. Pensem, o affair de Osvaldo e Beatriz jamais poderia vir à tona, por várias razões. Primeiro, Osvaldo era juntado com Andrea que veio com ele pra Guaratuba, ela talvez não tivesse pra onde ir caso os dois se separassem e por esse motivo Osvaldo talvez se sentisse responsável por ela, já que a mesma o acompanhou ate Guaratuba. Segundo, Beatriz era filha do prefeito e da poderosa Família Abagge, e não poderia ser vista com tendo um caso com um “Pai-de-Santo”. Isso iria colocar em xeque a credibilidade da família perante a política local e até mesmo estadual. Sem mencionar que na cidade o mesmo já era visto com maus olhos pelos artesãos e obviamente pelo eleitorado católico, predominante em cidades do interior brasileiro, incluindo Celina Abbage.
Porém, sabem como é não é verdade? Basta apenas que uma dádiva seja concedida para que o descrente se torne crente. Nesses dois meses Osvaldo dever ter feito alguma previsão que se tornou realidade, ou fez algum trabalho (Oferenda) para Beatriz que se provou frutífero e a mesma juntada de seus sentimentos por Osvaldo mergulhou de cabeça na idéia. Nesse interim Beatriz começou um trabalho de convencimento com seus pais com prováveis “Tá vendo, não disse que ele é serio” ou “Desde que o Osvaldo começou a fazer trabalhos nossa vida tem melhorado, estamos abrindo o Centro pra cuidar das crianças, você esta trazendo o partido pra cidade, vai Lançar a Denise como candidata e etc.” ou coisas do tipo. O que não sabíamos no começo do podcast mas ficou claro nos últimos episódios é que Celina era extremamente arrogante, ambiciosa e sedenta por poder. Logo, ao ver que as coisas estavam andando na vida da família atribuiu tudo (por influencia de Beatriz) à Osvaldo, esquecendo assim o seu catolicismo e se convertendo ao “Osvaldicismo”.
Osvaldo, sabendo que sua influência na família Abagge havia aumentado consideravelmente em poucos meses propõe à beatriz que abrissem um centro de Umbanda junto com De Paula e Davi que já estavam próximos ao “casal” nesta época. O único problema é em que cidades pequenas, notícias envolvendo a família do prefeito correm rápido. Logo ficou sabido que Beatriz estava envolvida na abertura de um centro de umbanda com Osvaldo. O que fez com que a mesma, até por pedido de seu próprio pai deixasse a idéia de lado pois não seria bom por motivos políticos. Enfim, com algumas coisas indo bem pra família Abagge atribuídas à Osvaldo faltavam as coisas principais serem “consertadas”. A serraria que não andava muito bem das pernas (e da onde provavelmente vinha o sustento de toda a família, já que pelo que dá a entender Beatriz, suas irmãs e sua mãe não tinham renda alguma ainda que estavam envolvidas em projetos aqui e acolá) e a força política que Aldo e Celina tanto queriam e que estava sendo ameaçada por Diógenes (com seus panfletos) e pelo outro candidato da oposição (o qual não me recordo o nome).
A família Abagge convencida de que Osvaldo tinha o poder de interceder por eles e ajudar a família a sair dos problemas políticos e financeiros que os afligiam pedem ajuda à Osvaldo. Agora lembrem-se de que Osvaldo não tinha nenhuma outra ocupação a não ser jogar búzios e ser “Pai-de-Santo”. Depois de meses de consultas com a população de Guaratuba e seu envolvimento com Beatriz, Osvaldo vê neste apelo a chance de fazer um pé de meia. Neste momento Osvaldo descreve à Beatriz o que deveria ser feito, quanto custaria e quem participaria. Acredito que Beatriz ao ouvir o que deveria ser feito deve ter se assustado e não deve ter concordado de primeira, porem Osvaldo lhe diz que é a única maneira de conseguir tais benefícios. Depois de conversa com sua família Beatriz e Celina decidem proceder com as orientações de Osvaldo. Começa então a segunda caçada ao próximo menino que teria de ser sacrificado. Entra aqui agora a parte da “Gourmetização” da religião. Osvaldo por conveniência ou não, não posso afirmar, envolveu o número 7 neste trabalho. Pois lembrem-se, há de fato 7 linhas de trabalho nas religiões afro-brasileiras. Coincidência ou não, neste caso acredito que não. Osvaldo, além de ter 7 letras, é um nome o qual a soma de suas letras pela numerologia também é 7. Evandro, além de ter 7 letras, também soma o número 7 quando usamos a numerologia. E o suposto ritual acontece no dia 7 de Abril 1992. Neste caso, não acredito que sejam apenas coincidências, pois são muitas. É aquele velho ditado, onde há fumaça há fogo. São muitas coincidências juntas, porém vamos chegar nessa parte quando falarmos sobre as torturas.
Após a aceitação da proposta de Osvaldo, a família Abagge, começa a premeditação do ritual. Se o que falei sobre o número 7 no parágrafo acima confere, então Evandro se torna um alvo. Pois lembrem-se, para que o menino escolhido se encaixasse nos parâmetros, eles deveriam saber o nome do garoto, não poderia ser qualquer garoto. Então assim, as Abagge começam a pensar nos meninos os quais elas sabiam o nome e que poderiam se encaixar no pedido de Osvaldo. Os pais de Evandro estavam diretamente ligados à prefeitura, sendo sua mãe Maria trabalhando na Escola onde Evandro frequentava e o seu Pai Ademir na prefeitura. Logo, a família Abagge conhecia a família Ramos Caetano muito bem, e sabia o nome de seus filhos. Por um infortúnio Evandro se encaixava perfeitamente. Agora, colocando de lado o simbolismo do número 7, Evandro só estava na hora errada no lugar errado e fui abduzido pois era um menino. Pensem, proveniente de uma família humilde, os Ramos Caetano jamais pensariam que a família Abagge, a mais poderosa de Guaratuba faria uma coisa dessas. Mas sabe aquele negócio de é tão óbvio que ninguém nunca suspeitará? Pois então, mas o que eles não esperavam é que Diógenes estaria à espreita aguardando um passo em falso para que ele atacasse.
Eis que no dia 6 de Abril de 1992 por volta de 9:30 da manhã por um acaso (ou não, pois acredito que o menino Evandro não fazia aquele trajeto todos os dias naquele mesmo horário. Naquele dia ele não havia tomado café (ou esquecido o mini-game) e foi até em casa buscar na hora do recreio) enquanto passando pelas redondezas da casa dos Ramos Caetano, as Abagge avistam o menino Evandro indo pra casa e o seduzem com balas para dentro do carro. Voltando à simbologia do numero 7, lembrem-se de que o ritual seria feito no dia 7, logo elas deveriam ter o menino um ou dois dias antes apenas, pois o mesmo deveria estar vivo no momento do sacrifício e não teriam onde deixar o menino por um longo período de tempo caso o tivessem raptado por muito tempo antes de poder fazer o ritual.
Vale voltar um pouco no tempo para mencionar o relato de Diógenes dizendo que Osvaldo havia espalhado pela cidade que uma grande tragédia iria acontecer e iria virar a cidade de pernas pro ar. Aqui é a parte onde ele mesmo começa a entregar a corda pra que fosse enforcado mais adiante. Sabendo do ritual que aconteceria, já que as Abagge haviam concordado, Osvaldo viu aí a oportunidade de se tornar “famoso” pois ele haveria previsto um acontecimento antes que o mesmo houvesse ocorrido, OU, o mesmo de fato viu nos búzios que algo viraria a cidade de pernas pro ar, mas não sabia que ele estaria envolvido. Afinal, ninguém comete um crime esperando ser pego, certo?
Depois do rapto do menino Evandro no dia 6 começam os preparativos para o ritual no dia seguinte, dia 7. Airton Bardelli, já envolvido com Osvaldo por intermédio de Beatriz recebe a ordem de que no dia seguinte todos da serraria deveriam ser dispensados mais cedo às 6 horas da tarde, para que o trabalho pudesse acontecer às 7 (?). Aqui fica a minha duvida, e eu não sei responder essa questão de como Bardelli e Cristofolini entram no ritual. Será que apenas para composição de quórum, já que Osvaldo disse que precisariam de 7 pessoas? Osvaldo pediu à Cristofollini, seu então vizinho para que apenas os ajudasse compondo o grupo, e a mesma coisa à Bardelli por parte de Beatriz já que Bardelli estaria na Serraria e seria responsável pelos funcionários não estarem lá? Isso é uma das coisas que jamais saberemos. Porém, não acredito na parte que a serraria ficou fechada uma semana para que eles pudessem limpar o local e etc., qualquer idiota colocaria um pedaço grande de lona ou plástico para forrar o chão e não ter que lavar ou limpar o sangue depois. Se eles não o fizeram assim, foram burros – fica a dica pra próxima rs.
O Ritual acontece de acordo como relatado, onde o menino Evandro é oferecido em forma de sacrifício para um Exu (Não para o Diabo, não para Satã, não para nada disso). Acreditem ou não, mas Exus em sua grande maioria não são espíritos maus, são apenas mensageiros entre o mundo dos vivos e dos mortos os quais cobram pelos seus serviços (em forma de oferendas). Contudo, há também Exus de má índole, que são espíritos não evoluídos e que agem pelo lado errado da gira. Qual o Exu ao qual o menino Evandro foi oferecido, nunca saberemos. Após o ritual ser terminado os 7 deixam a serraria e Beatriz e Celina voltam pra casa, e Celina vai à tal festa com Aldo. Osvaldo, De Paula, Davi, Bardelli e Cristofolini se dirigem às suas casas. Aqui fica aquela confusão sobre o dia 6 ou dia 7, bar da dobradinha, jantar na casa de Antonio Costa. E também onde Andrea desmente o álibi de todos, pois diz ter visto Osvaldo e De Paula saindo com roupa de trabalho e sendo buscado por Beatriz. Mais um indício de que Osvaldo e Beatriz estavam tendo um affair o qual Andrea já sabia e por vingança não encobriu o seu namorado.
Voltando ao dia 6, após o desaparecimento de Evandro, sua família obviamente estava recorrendo a qualquer tipo de ajuda. Nisso chega a notícia no terreiro da mãe Hortência por meio de Davina de que o menino havia sumido e a família estava pedindo que pessoas se dirigissem à casa da família para orações. Não obstante, Vicente de Paula vai à casa dos Ramos Caetano e recebe a entidade que se propõe a ajudar porem não quer fazer naquele momento pois o “cavalo” não está com a roupa adequada. A entidade pede que o mesmo coloque sua roupa enquanto vai na “gira” ver se consegue achar o menino e que depois voltaria. Acho que é aqui que o resto está na casa de Antonio costa jantando após a sessão no terreiro. Depois do jantar quem vai ajudar na busca é Osvaldo com Davi dos Santos (que não é o “Cheiro” rs) junto com Davina e seu marido Mario. Quando a entidade pede que seja levada a uma rua que tenha palmeiras Osvaldo sinaliza que sentiu uma presença forte no final da rua perto do mato. Aqui na minha opinião, Osvaldo entrega mais um pouquinho de corda para ser enforcado na tentativa de fazer o seu nome como Pai-de-Santo. Depois da profecia de que haveria uma tragédia na cidade ele deve ter achado por bem profetizar a presença do menino naquela região pois já havia planos de desová-lo lá após o ritual. Porém isso foi mais uma bala na arma de Diógenes.
Cinco dias depois quando o corpo é encontrado no Sábado dia 11 de Abril a 30 metros do local onde Osvaldo havia sentido uma “presença forte”, as coisas começam a ficar suspeitas. Infelizmente o corpo encontrado está além do reconhecimento e fica difícil a confirmação porem como já sabemos o corpo encontrado está sem as mãos, sem alguns dedos dos pés, sem orelhas e olhos e sem órgãos internos incluído coração. E tudo isso é explicado nas doutrinas, a falta das mãos é para fortuna, do pênis para impotência, e assim vai. Não me recordo de todos. E é aqui que as coisas começam a ficar esquisitas e se esclarecer ao mesmo tempo. Mesmo que o corpo encontrado não seja de Evandro, seja de Leandro Bossi por exemplo. Os cortes citados, as partes faltantes do corpo são por coincidência de acordo com a doutrina de sacrifícios?! Não acredito, e tem mais, aqui cai por terra também a teoria de que Diógenes teria conspirado contra as Abagge. Pelos depoimentos de Diógenes ele se mostrou TOTALMENTE ignorante às religiões aqui envolvidas. Portanto, ele não saberia o que fazer com o corpo para que parecesse que um ritual de sacrifício tivesse sido realizado no corpo em questão. E mais, se hoje nem na internet se encontra tais instruções podemos imaginar em 1992. Só quem de fato é praticante há MUITOS anos tem acesso a como praticar tais rituais. Pois não é apenas pegar um corpo X cortar e tchau, como o nome diz é um ritual, portanto existem musicas, palavras a serem faladas dentre outras coisas e só quem estuda há um bom tempo sabe o que fazer.
Portanto quando Diógenes faz a sua denuncia no dia 29 de Maio de 1992 quase DOIS meses depois do ocorrido, ele se baseia em “fofocas” porém também em outros fatos, como sobre a do “Grupo Tigre” estar próximo à família Abagge durante as investigações. Se depois de dois meses ninguém sabe absolutamente nada, é porque alguma coisa tem, concordam? Depois da sua denuncia ao ministério público, o mesmo acha por bem colocar o “Grupo Águia” da PM em uma investigação paralela à da Polícia Civil que nada fez por dois meses. Aqui na minha opinião entra a parte onde Diógenes tinha sim uma agenda contra a Família Abagge. Por N motivos ele não gostava deles em especial à Celina que causou o divórcio de seus pais. Após ficar sabendo de tudo que ficou por intermédio de conhecidos, Davina, Edézio, Jorge Banana e cia, ele foi mais do que correndo colocar a sua denuncia pois então ainda que não tivesse provas concretas pra ele tudo aquilo fez sentido e ele tinha nas mãos o que sempre quis.
Não acredito que as testemunhas tenham mentido a pedido de Diógenes. E entendo o fato delas não terem se pronunciado no dia, ou dias depois. Morando numa cidade pequena onde todos se conhecem, a família mais poderosa e talvez mais rica da cidade se envolve num crime hediondo desses, você se pronunciaria? Eu não me pronunciaria, e é a verdade. No caso de Edézio, ele ficou sem saída porque seu amigo Hamilton ao qual ele havia confidenciado ter visto as Abagge raptando o menino Evandro contou ao Diógenes que por sua vez deve ter obrigado ele a prestar depoimento do que havia visto. Não há nada de estranho nisso. A mesma coisa com o Jorge Banana, se eu estou pescando e vejo um saco cheio de restos mortais do que poderia ser um feto, meu barco viraria uma lancha de tão rápido que eu sairia de lá. E com peixe ou sem peixe no meu barco eu JAMAIS puxaria o saco pra dentro do barco. E é isso que talvez destrua a credibilidade das testemunhas, o MEDO. Ninguém quer admitir que tem medo, mas a grande maioria das pessoas tem, e por não querer admitir isso em juízo ou em depoimento acaba passando por mentiroso. Pois é muito fácil falar, “Ah, mas você viu que tinha mãos dentro do saco, cabelo e não pegou o saco?!”. Não, eu também não pegaria. Agora, se eu soubesse do que tinha acontecido (Coisa que Jorge Banana não sabia à época do ocorrido), e visto um saco com as coisas eu chamaria a policia sem dúvida alguma, porém se não soubesse, aquele saco de cal iria ficar lá pra sempre.
Finalmente chegamos às prisões dos dias 1,2 e 3 de Julho de 1992, onde os 7 acusados são presos. Aqui eu vou ser bem sucinto e explicito nas minhas opiniões. Eu acredito que todos tenham sofrido tortura sim, sem sombra de dúvidas. Porém pra confessar aquilo que de fato haviam cometido porque jamais confessariam de uma outra forma. Não defendo tortura e não acho que esse deveria ter sido o caminho a ser seguido. E acho que a maneira com a qual a PM conduziu as prisões e os interrogatórios foi o que estragou o caso. Se eles não tivessem torturado os réus a argumentação da promotoria teria sido muito mais forte e o único argumento da defesa seria o de que o corpo encontrado não era o de Evandro.
Agora as perguntas que ficam e talvez a chave de todo esse mistério é, se o corpo encontrado não é o de Evandro como afirma piamente até hoje o Delegado Luis Carlos de Oliveira, porque os acusados colocaram as roupas de Evandro no cadáver? O que eles tentaram fazer aqui? Encobrir uma morte com outra? Desovar o cadáver de Leandro Bossi que estava na geladeira que a Celina tirou da serraria como relatou Teresinha e por isso tinha marcas roxas e já estava em estado de putrefação como se fosse Evandro? O que vocês acham? Isso vai ficar no imaginário de cada um, pois nunca saberemos.
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2019.04.15 20:43 Vladmirsilveira Os contratos na perspectiva humanista do Direito: o nascimento de uma nova teoria geral dos contratos

Centro Universitário de Maringá
Programa de Pós Graduação em Direito.
Revista Jurídica Cesumar – Mestrado
Autor: Vladmir Silveira

Introdução

O presente trabalho procura trazer um estudo, assim como propor uma reflexão, acerca da influência dos direitos humanos nas relações contratuais, partindo da perspectiva clássica da força obrigatória dos contratos, designadamente pelo princípio do pacta sunt servanda, evoluindo para o reconhecimento da necessidade da presença da boa-fé na exteriorização da vontade que motiva a relação contratual, passando pela Revolução Industrial e conseqüente fortalecimento o capitalismo liberal e do individualismo, até se alcançar a perspectiva social e solidária dos contratos e o reconhecimento de novo modelo de contrato, firmado principalmente pela necessidade humana de consumo, o que levou à massificação das relações contratuais, assim como ao dirigismo Estatal para tutela dos interesses da parte mais fraca da relação.
Nessa perspectiva procuramos desenvolver tanto o conceito de contrato tradicional e suas conseqüências jurídicas, especialmente no que tange aos vícios da vontade; assim como buscamos apresentar a idéia de contrato contemporâneo e o novo conceito de contrato pela ótica do solidarismo Constitucional.
Pretendemos levantar o debate de temas atuais relacionados aos contratos, mas sem a pretensão de esgotá-los, como a crise dos contratos; o princípio da autonomia da vontade e seu confronto com o princípio da autonomia privada; e o diálogo das fontes.
Por fim, será abordada a chamada nova teoria geral dos contratos no que tange à releitura do princípio da boa-fé, hoje definido como boa-fé objetiva; assim como o princípio da função social e solidária dos contratos como limite da liberdade contratual.

2. Formação histórica e pressupostos ideológicos dos contratos

A reconhecida interdisciplinaridade dos estudos jurídicos com outras ciências humanas, especialmente a Social, a Política e a Economia, assim como a evolução histórica dos direitos humanos, a partir do que se concebeu uma nova perspectiva à dignidade da pessoa humana pelo processo da dinamogenesis[1][2], conferiu ao contrato uma nova roupagem, pela superação da idéia de que a igualdade formal dos indivíduos asseguraria o equilíbrio entre os contratantes, fosse qual fosse sua condição social.
Nessa perspectiva, destacamos primeiramente o conceito de contrato conforme ensinamento da Escola de Pandectas, que adota o modelo codificado, pela qual contrato é uma categoria geral e abstrata que, segundo as regras da lógica formal, pode ser reduzido à unidade no sistema conceitual. Tal sistema assemelha-se a uma pirâmide, que no topo contém um conceito geral ao qual se reduzem os demais conceitos abaixo subseqüentes, como subtipos daquele conceito generalístico.[3]
Segundo Puchta[4], é tarefa do jurista a conexão lógica dos conceitos, que formará a consciência sistemática pela percepção do sentido ascendente dos conceitos identificados por intermédio dos termos médios que integram sua formação.
Na escala da genealogia dos conceitos, o conceito de contrato sobe ao negócio jurídico, e daí para o fato jurídico, formando uma pirâmide.
Nessa perspectiva, contrato seria negócio jurídico bilateral ou plurilateral[5] que por conter todas as características do negócio jurídico formaria um conceito derivado, possuindo todas as características gerais do negócio jurídico e outros elementos especializantes.
Em que pese a contribuição da concepção de contrato acima exposta, outras correntes de pensamento também influenciaram na criação de seu conceito atual, dentre as quais se destacam: (i) a corrente de pensamento dos canonistas e (ii) a Escola do Direito Natural.
A corrente de pensamento canonista ficou marcada pela substancial relevância atribuída ao consenso e à fé jurada na formação do contrato e obrigações dele decorrentes. Importa destacar que a corrente canonista significou um marco, pois foi a partir daí que se abriu caminho para os princípios da autonomia da vontade e do consensualismo[6]. Sob tal ótica, para a criação da obrigação, necessária e suficiente seria a declaração da vontade, desde que aliada ao dever de veracidade, valorizando-se com isso a palavra dada e reconhecendo-se sua respectiva aptidão para criar o vínculo obrigacional, assim como a necessidade de seu cumprimento.
Nesse contexto, independente da forma do pacto, caberia ao direito assegurar a força obrigatória dos contratos como mecanismo jurídico de tutela dos valores envolvidos na relação contratual sempre que verificada a vontade livre e a fé jurada.
Por outro lado, para a Escola do Direito Natural – racionalista e individualista –, o fundamento do nascimento das obrigações se encontra na vontade livre dos contratantes.
Portanto, da mesma forma que a corrente de pensamento dos canonistas, a Escola do Direito Natural valorizava o consenso e o dever de veracidade, que é de direito natural.
O diferencial está na forte carga individualista desta linha de pensamento, fruto da ideologia dominante na época de sua cristalização, revelada pela influência do regime capitalista de produção nos planos econômico, político e social, marcando o jusnaturalismo pelo individualismo, ou seja, pela superestimação do papel do indivíduo.
Nesse sentido, com a acentuação do capitalismo, que tem sua base filosófica em Locke, maior importância se deu ao individualismo como reflexo da Revolução Industrial, acarretando a concentração de riquezas nas mãos do poder econômico privado, sendo, a partir daí, o direito de propriedade considerado um direito natural, protegido contra as forças do Estado como forma de garantir o abuso do poder político.
De fato, o capitalismo funda-se nas liberdades individuais – liberdades negativas de primeira dimensão – em especial a propriedade privada. Por outro lado, reconhecendo-se no capitalismo um direito humano, qual seja o direito de propriedade, abre-se margem à interpretação do capitalismo na perspectiva humanista dos direitos, em todas as suas dimensões.
É nesse sentido que se fala atualmente em capitalismo humanista, conforme defende o Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Ricardo Hasson Sayeg, afirmando que “o espírito capitalista e o espírito de fraternidade são convergentes na medida em que não existe capitalismo sem que se reconheçam os direitos humanos. E conclui dizendo que “o que é certo é que os direitos humanos com todas as suas dimensões configuram um feixe indissociável, não cabendo se reconhecer uns e excluir outros.[7]
Dentro desta perspectiva, ensina Willis Santiago Guerra Filho:
[…] Mais importante, é que os direitos gestados em uma geração, quando aparecem em uma ordem jurídica que já traz direitos de geração sucessiva, assumem outra dimensão, pois os direitos da geração mais recente tornam-se um pressuposto para entendê-los de forma mais adequada – e, conseqüentemente, também para melhor realizá-los. Assim, por exemplo, o direito individual da propriedade, num contexto em que e reconhece a segunda dimensão dos direitos fundamentais, só pode ser exercido observando-se sua função social, e com o aparecimento da terceira dimensão, observando-se, igualmente, a função ambiental.[8]
A compatibilização do capitalismo com as necessidades humanas de segunda geração e de terceira geração, ou seja, o interesse social solidário em equilíbrio com o direito de propriedade, deu origem ao reconhecimento legal dos direitos supra-individuais, como os direitos difusos e coletivos, especialmente quando se verifica no contrato a vulnerabilidade de uma das partes, como é o caso do consumidor, havendo neste caso interesse social na atribuição de força jurídica à parte mais fraca para que ela possa enfrentar com maior equilíbrio o poder econômico do empresário.
Não é por outro motivo que o direito passou gradativamente a reconhecer os direitos naturais do homem – direitos fundamentais no âmbito interno, e direitos humanos na seara internacional – como garantias de ordem pública cuja eficácia deve ser verificada tanto interna como externamente nas relações obrigacionais, designadamente nos contratos, independentemente se tratar de contrato tradicional ou contrato contemporâneo, como os contratos de adesão, onde a vontade é mitigada pela imposição de cláusulas padrão, devendo a partir daí tais direitos conviverem em harmonia, preservando-se com isso as liberdades negativas[9], as liberdades positivas[10] e os direitos de solidariedade humana[11] a um só tempo.[12]
Nesse contexto, retomando-se os paradigmas da liberdade versus solidariedade, é possível se afirmar que a idéia liberal de igualdade entre todos, e de livre mercado sem a intervenção do Estado para garantir o interesse comum da coletividade, escravisa muito mais do que liberta na medida em que a necessidade humana de manter relações econômicas, adquirindo bens e serviços, sem a proteção do vulnerável, acarreta a exploração e a conseqüente exclusão do mais fraco pelo mais forte.
Nas palavras de Orlando Gomes:
O liberalismo econômico, a idéia basilar de que todos são iguais perante a lei e devem ser igualmente tratados, e a concepção de que o mercado de capitais e o mercado de trabalho devem funcionar livremente em condições, todavia, que favorecem a dominação de uma classe sobre uma economia considerada em seu conjunto, permitiram fazer-se do contrato um instrumento jurídico por excelência da vida econômica.[13]
Não é por outro motivo que o capitalismo humanista e suas idéias integracionistas de harmonização dos direitos de primeira, segunda e terceira dimensão, representado pelas liberdades individuais negativas, liberdades sociais positivas e pelos direitos de solidariedade, ganham importância em tempos de globalização econômica e de mercado.
Observa-se, assim, que o contrato, na sua concepção clássica de acordo bilateral ou plurilateral de vontades livres e conscientes, capaz de gerar, extinguir ou modificar direitos e obrigações de conteúdo patrimonial, continua sendo plenamente válido e aplicável no século XXI, desde que a relação jurídica obrigacional envolva partes jurídica e materialmente iguais.
Por outro lado, quando se tratar de relação obrigacional entre partes em posição de desigualdade, ou seja, quando num pólo da relação estiver um vulnerável e no outro pólo um dominante, em regra teremos a figura do chamado contrato de massa ou contrato padronizado, ou ainda contrato de adesão, em que não há abertura para que discussão das cláusulas do contrato, que é imposto pelo pólo dominante, limitando-se o vulnerável a assinar o contrato, aderindo aos seus termos.[14]
Nesse caso de contrato de adesão, clama-se pela intervenção do Estado na relação jurídica, chamado dirigismo contratual, a fim de conferir à parte mais fraca força jurídica para enfrentar o poder econômico do empresário, conforme acima estudado. Destarte, percebe-se o capitalismo humanista como realidade em nossos tempos, onde o papel do Estado diante de uma relação econômica desequilibrada é fornecer os elementos necessários à harmonia da relação contratual.[15]
  1. Conceito de Contrato
O Código Civil brasileiro em vigor não define contrato, apenas estabelecendo as diretrizes para sua formação, nos seguintes dispositivos:
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
Para estudarmos o tema contratos e alcançarmos seu atual conceito é necessário, em primeiro lugar, compreender que a liberdade de contratar pressupõe a igualdade econômica e jurídica dos contratantes.
Nestes termos, o contrato nos moldes clássicos empresta maior significação às normas sobre o acordo de vontades. Portanto, o contrato da teoria geral dos contratos detém especial atenção à vontade e seus vícios[16], capazes de anulá-la, limitando-se a proteção legal à reparação desses vícios que contaminam os pressupostos de vontade livre e consciente que conferem validade aos contratos.
Por outro lado, conforme ensinam Erik Jayme[17] e Cláudia Lima Marques, a nova teoria geral dos contratos trouxe o chamado diálogo das fontes, imprescindível para a compreensão harmônica do sistema jurídico, o que implica na aproximação principiológica do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor, especialmente no que concerne à repressão jurídica do abuso de direito.[18]
Nesse sentido é que se compreende os contratos de massa, ou contratos de adesão, também chamados contratos contemporâneos, com a preocupação de tutela dos aderentes mediante normas legais que proíbam cláusulas abusivas, até mesmo porque as regras sobre a declaração da vontade e os vícios do consentimento quase não se lhe aplicam.
Feitas estas considerações preliminares, podemos dizer, em termos abrangentes, que contrato clássico é todo negócio jurídico que se forma pelo concurso de vontades, ou seja, é o acordo de vontades capaz de produzir efeitos obrigacionais de conteúdo patrimonial.
Doutrinariamente há quem utilize o termo convenção para designar um negócio jurídico mais abrangente, que abarca não só os negócios bilaterais e plurilaterais destinados a criar obrigações, mas também a modificar ou extinguir obrigações preexistentes; enquanto o contrato seria idôneo exclusivamente à criação de obrigações. Todavia, utiliza-se mais comumente o termo contrato para designar todo acordo de vontade livre e consciente firmado entre duas ou mais pessoas e capaz de criar, extinguir ou modificar direitos de conteúdo patrimonial.
Cumpre destacar que não é a forma escrita que cria o contrato, mas o consenso, ou seja, o encontro de duas declarações convergentes de vontades no sentido de criar vínculo obrigacional de conteúdo patrimonial.

2.1 Natureza Jurídica dos Contratos

No tocante à natureza jurídica dos contratos, duas concepções antagônicas dividem os juristas, uma é a concepção subjetiva, outra é a objetiva. Nesse sentido, pela concepção subjetiva, o conteúdo do contrato é composto pelos direitos e obrigações das partes; já pela concepção objetiva o conteúdo do contrato é composto de preceitos, o que o torna fonte de normas jurídicas, ao lado da lei e da sentença.
Kelsen[19], ao analisar especificamente o contrato do ponto de vista da teoria pura do direito, observa que ao celebrar um contrato as partes não se limitariam a aplicar o direito abstrato que o rege, mas estariam também criando normas individuais que geram obrigações e direitos concretos não existentes antes de sua celebração. Trata-se do pacta sunt servada, princípio pelo qual o contrato faz lei entre as partes. Tal princípio tem sua origem no Direito Romano e foi herdado pelo nosso ordenamento jurídico, de origem precipuamente romana.
Por outra banda, os opositores desta teoria argumentam dizendo que, uma vez que se conceitue norma jurídica como regra geral e abstrata, é manifesto que as cláusulas de um contrato não são normas, pois sua aplicação é restrita às partes contratantes.
Ademais, encontramos o posicionamento de Frederico de Castro, no sentido de que a idéia de que o contrato faz lei entre as partes está a serviço do capitalismo liberal, porque racionaliza a dominação dos privilegiados pelo emprego de um instrumento jurídico de inspiração liberal, afastando princípios como a boa-fé e a condenação ao abuso de direito, na medida em que objetiva tornar o contrato norma autônoma desligada das partes que o adotaram, como se verifica mais agressivamente no contrato de adesão.[20]
Não comungamos de tal pensamento, pois, como já estudado alhures, o reconhecimento jurídico de novas dimensões do direito tende a superar as desigualdades verificadas nos contratos de adesão pelo dirigismo contratual, ou seja, pela atuação do Estado em favor do mais fraco. Ademais, a autonomia da vontade encontra limites na ordem pública e nos bons costumes, conforme passaremos a estudar.

2.2 Princípio da Autonomia da Vontade

A autonomia da vontade, como direito subjetivo de liberdade, ou seja, como direito do homem reconhecido na qualidade interna da vontade individual que se expressa por um querer ou não querer partilhado por todos, independentemente da posição que o sujeito ocupa na sociedade, de seu status político[21], tem sua origem no livre arbítrio pregado pelo cristianismo.
No campo do direito das obrigações, o princípio da autonomia da vontade representa a liberdade de contratar, pelo que a vontade das partes tem o condão de suscitar os efeitos pretendidos dentre aqueles reconhecidos e tutelados pela ordem jurídica.
Há que se destacar que a valorização da autonomia da vontade como elemento capaz de formar o negócio jurídico e vincular as partes sofreu forte inspiração ideológica do Estado liberal, cuja característica maior consistia na preservação da liberdade individual o mais ampla possível diante do Estado. Essa excessiva valorização do voluntarismo acabou por transformar o negócio jurídico num ato de autonomia privada, pelo que a declaração da vontade constituiria o próprio negócio jurídico, e respectivos feitos dele decorrentes, em nome da livre movimentação de riquezas na sociedade.
Todavia, o surgimento de problemas sociais revelou a necessidade de intervenção do Estado nas relações privadas como solução para a crise da teoria contratual clássica, especialmente diante da industrialização e massificação das relações contratuais, pós Revolução Industrial.
Assim, a força obrigatória dos contratos, corolário da autonomia da vontade, passou a sofrer notável mitigação pela intervenção do Estado na economia, como decorrência do reconhecimento da necessidade de harmonização dos direitos humanos em todas as suas dimensões, pelo que a liberdade dos indivíduos passou a ser conformada com o interesse público e depois com a solidariedade contratual.[22]
É o que se percebe partir do século XX, quando a tradicional concepção de autonomia da vontade não mais corresponde à realidade socioeconômica, donde se verifica a necessidade da imposição de limites à autonomia da vontade.
Assim, com a superação do sistema individualista passa-se à valorização do interesse público em nome da dignidade da pessoa humana e, ao contrário do que se possa imaginar, também em nome da verdadeira vontade das partes contratantes pela tutela da confiança, da boa-fé objetiva e, em última análise, da funcionalização do contrato.

2.3 Princípio da Autonomia Privada

Atualmente fala-se em princípio da autonomia privada em substituição ao princípio da autonomia da vontade sob os seguintes argumentos. Em primeiro lugar, alega-se que a autonomia não é da vontade, mas da pessoa humana.[23] Todavia, não vemos relevância no argumento supra, tendo vem vista que a pessoa humana é o sujeito da relação jurídica obrigacional, que se forma por força das vontades convergentes para atender aos interesses particulares de cada uma das partes. Sendo assim, a relação é interssubjetiva e se forma da vontade, a qual deve ser livre de vícios e pautada na boa-fé subjetiva, ou seja, a vontade deve corresponder ao verdadeiro desejo ou intenção das partes[24], assim como na boa-fé objetiva, ou dever de boa conduta, conforme estudaremos mais adiante.
Sustentam ainda os defensores da nova terminologia que muitas vezes o conteúdo do contrato é imposto pela lei ou pelo Estado, o que mitiga a vontade.
Da mesma forma tal argumento não deve prosperar, pois, conforme tivemos oportunidade de estudar, o dirigismo contratual corresponde a uma evolução do direito contratual a fim de tutelar o interesse do vulnerável e garantir a harmonia da relação jurídica, conformando a liberdade com a igualdade e solidariedade.
Na defesa da substituição terminológica afirmam ainda que prevalecem na prática os contratos de adesão, estando a vontade em crise. Ora, conforme tivemos oportunidade de ver, os contratos contemporâneos são, em regra, firmados em massa, o que particulariza esse tipo de contrato e invoca o diálogo das fontes para aproximar os princípios do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor a fim de equilibrar a relação e trazer harmonia à relação contratual, o que não anula a existência dos contratos tradicionais, firmados por partes materialmente iguais, como ocorre em alguns contratos internacionais, e até nacionais, onde as cláusulas do contrato em regra são cuidadosamente discutidas pelas partes, o que não exime esse tipo de contrato da obrigação de observância das normas cogentes, decorrentes da funcionalização dos contratos, como a boa-fé e a confiança.
Em suma, os contratos devem ser analisados sob a perspectiva da evolução dos direitos, especialmente em face da solidariedade, que atualmente concretiza a dignidade da pessoa humana, e demais princípios de ordem pública, o que não desnatura o contrato, apenas traz um novo paradigma a fim de se diferenciar os contratos firmados entre partes iguais e aqueles firmados entre uma parte forte ou dominante e outra vulnerável, o que indubitavelmente deve chamar maior atenção do Estado a fim de que, por intermédio do dirigismo contratual, seja garantido o equilíbrio e a harmonia esperada de todos os contratos que, sem exceção, devem refletir não apenas a vontade, mas também os princípios anexos da conduta[25], assim como o atual estágio dos direitos humanos fundamentais.
  1. Conceito Pós-Moderno de Contrato
Conforme pudemos observar, o conceito tradicional de contrato passou por uma longa evolução, partindo da jurisprudência dos conceitos, passando pelo direito canônico e pelo jusnaturalismo, até chegar ao individualismo liberal, para o qual contrato é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa a criação, a modificação ou a extinção de direitos e deveres, com conteúdo patrimonial.
Todavia, encontramos atualmente o conceito pós-moderno[26] de contrato pelo qual o contrato é uma relação intersubjetiva baseada no solidarismo constitucional e que produz efeitos patrimoniais e existenciais tanto em relação às partes contratantes como perante terceiros.[27]
Percebe-se da análise desse novo conceito de contrato a nítida influência da evolução dos direitos humanos, especialmente os direitos de terceira dimensão ou direitos da solidariedade constitucionalmente reconhecidos na Constituição Federal.[28]
Firmando o posicionamento da influência do constitucionalismo solidário no Direito Civil, os informativos 531 e 550 do STF prestigiam a Convenção Americana sobre Direito Humanos, ou Pacto de São José da Costa Rica, ao considerar ilegal a prisão civil do depositário infiel.
Vale destacar que com a Emenda Constitucional 45, os tratados sobre direitos humanos ingressam no ordenamento jurídico pátrio com força constitucional, quando aprovado pelo Congresso Nacional pelo procedimento adotado nas Emendas Constitucionais[29] e, ainda que não aprovado por tal procedimento, por sua natureza humanitária e respectivo reconhecimento de sua força vinculante pela comunidade internacional, terá força supralegal, ou seja, abaixo da Constituição Federal, mas acima da lei, não podendo, assim, ser revogada por lei ordinária e prevalecendo sobre ela.
Ainda na perspectiva dos direitos de terceira dimensão, o Enunciado 23 do Conselho de Justiça Federal do Supremo Tribunal Federal prestigia o princípio da dignidade da pessoa humana ao estabelecer que “a função social do contrato, prevista no artigo 421 do novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana”. Exemplificativamente, é nula de pleno direito a cláusula não incomum de não engravidar inserida no contrato de uma executiva por violar a dignidade da pessoa humana.
  1. Nova Teoria Geral dos Contratos
A chamada nova teoria geral dos contratos faz uma releitura dos princípios informadores dos contratos, especialmente para estabelecer uma relação de aproximação principiológica entre o Código Civil de 2002 e o Código de Defesa do Consumir, o que se denominou diálogo das fontes, uma vez que ambos são incorporadores de novos princípios sociais e solidários contratuais.[30]
Nesse sentido, são princípios da chamada nova teoria geral dos contratos: (i) princípio da função social do contrato; e (ii) princípio da boa-fé objetiva. Senão vejamos:

4.1 Princípio da Função Social do Contrato

Trata-se de princípio de ordem pública pelo qual o contrato deve necessariamente ser interpretado e visualizado de acordo com o contexto social em que se insere.
Nesse sentido, dispõe o parágrafo único do artigo 2.035 do Código Civil de 2002 que “nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceito de ordem pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos”.
São efeitos da função social do contrato tanto a mitigação de sua força obrigatória, como sua eficácia perante terceiros, como tem entendido o STJ, por exemplo, no caso da vítima de acidente de trânsito, que pode ingressar diretamente com ação contra a seguradora do culpado, mesmo não havendo uma relação contratual de fato entre elas.[31]
Entende-se que a função social do contrato tem tanto eficácia interna, ou seja, entre as partes, como eficácia externa, ou para além das partes.

4.1.1 Aspectos da Eficácia Interna do Contrato

Primeiramente, podemos apontar a proteção dos vulneráveis contratuais como um dos aspectos da eficácia interna do contrato. Tal constatação se revela especialmente em dois artigos do novo Código Civil ao tratar do estado de perigo e da lesão.
Assim, a lei determina que, quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.[32]
Já no caso de cláusulas inseridas em contratos de adesão que impliquem na renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio, tal cláusula é considerada nula de pleno direito, como ocorre no caso dos tickets de estacionamento com mensagem eximindo o estabelecimento de qualquer responsabilidade pelos objetos e pertences que se encontrarem no interior do veículo.[33
Também se destaca como aspecto da eficácia interna do contrato o princípio da dignidade da pessoa humana, como decorrência da evolução dos direitos humanos, conforme tivemos oportunidade de ver.
Temos ainda nesse contexto da vedação da onerosidade excessiva ou desequilíbrio contratual, que pode levar à anulação,[34] à revisão,[35] ou à resolução do contrato.[36]
No mesmo sentido temos a nulidade de cláusulas anti-sociais tidas como abusivas como, por exemplo, a nulidade de cláusula em plano de saúde que limite o tempo de internação.[37] Por fim, também representa eficácia interna do contrato o princípio da sua continuação, ou seja, a extinção do contrato deve ser a última medida ou ultima ratio.

4.1.2 Aspectos da Eficácia Externa do Contrato

Dois são os aspectos da eficácia externa do contrato, quais sejam, a proteção dos direitos difusos e coletivos, em nome do princípio da solidariedade; e a eficácia do contrato perante terceiros, que pela nova teoria geral dos contratos têm legitimidade para invocar o contrato sempre que reflexamente seus termos os tocarem ou atingirem.

4.2 Princípio da Boa-Fé Objetiva

Trata-se da evolução do conceito de boa-fé trazido pelo Direito Canônico, ou seja, exige-se mais do que a correspondência dos termos do contrato com a intenção do agente, que é de plano subjetivo, mas inclusive a boa conduta do contratante, que está no plano objetivo.
Segundo Karl Larenz a boa-fé objetiva é relacionada aos deveres anexos ou laterais da conduta, inerentes a qualquer contrato, sem necessidade de previsão no instrumento.
São apontados como deveres anexos da conduta os deveres de cuidado; respeito; de informar; de colaborar; de lealdade; transparência; confiança etc. A observância desses deveres assegura o bom contrato, e cumpre com o dever de boa conduta que se espera de toda pessoa, sendo que sua desobediência pode ter como conseqüência a anulação, a revisão ou mesmo a resolução do contrato.
O Enunciado 24 CJF/STJ prescreve que a quebra dos deveres anexos da conduta gera a violação positiva do contrato, nova modalidade de inadimplemento em que a responsabilidade é objetiva.

Considerações Finais

Ao longo do presente estudo procuramos analisar a evolução dos direitos humanos e seus reflexos nas relações jurídicas privadas, designadamente nos contratos.
Assim, pudemos perceber que há atualmente o reconhecimento da necessidade de compatibilização do capitalismo com as necessidades humanas de segunda geração e de terceira geração, a fim de se alcançar o verdadeiro equilíbrio dos contratos pelo reconhecimento legal dos direitos supra-individuais, como os direitos difusos e coletivos, especialmente quando se verifica no contrato a vulnerabilidade de uma das partes.
Nesse contexto, é possível se afirmar que o solidarismo constitucional exerce forte influência na força obrigatória dos contratos, corolário da autonomia da vontade, a qual passou a sofrer notável mitigação pela intervenção do Estado na economia, como decorrência do reconhecimento da necessidade de harmonização dos direitos humanos, em todas as suas dimensões, pelo que a liberdade dos indivíduos passou a ser limitada em nome do interesse público.
Nesse sentido que nasce a nova teoria geral dos contratos, para afirmar o valor de princípios de ordem público e sua influência direta nos contratos, como é o caso do princípio da função social do contrato e da boa-fé objetiva, inclusive sob a nova perspectiva da conduta e seus deveres anexos, como o dever de lealdade, transparência e confiança, deveres inerentes a todos os contratos, cuja inobservância acarreta inclusive a responsabilidade objetiva da parte.
Conclui-se que é esse espírito de solidariedade que deve inspirar a leitura das relações jurídicas obrigacionais, seja na interpretação dos contratos tradicionais, mas especialmente nos contratos contemporâneos onde uma das partes é vulnerável e o dirigismo contratual fazer-se necessário para preservar a harmonia da relação jurídica.

Referencial Bibliográfico

AMARAL, Francisco. Comentários sobre o Projeto do Código Civil Brasileiro. Série Cadernos do CEJ. Conselho de Justiça Federal. Brasília: Centro de Estudos Judiciários, 2002.
GOMES, Orlando Gomes. Contratos. 24ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo constitucional e direitos fundamentais. 4 ed., São Paulo: RCS, 2005.
JAYME, Erik. “Identité culturelle et intégration: le droit international privé postmoderne”, in Recaueil des Cours, vol. 251, 1995.
KELSEN, Hans. Trad. GARCIA, Eduardo. El Contrato y el Tratado. Colofón, 2002.
LARENZ, Karl. Derecho das Obligaciones. Madri: Editorial Revista de Derecho Privado, 1958. T. 1.
____________. Metodologia da Ciência do Direito. 3ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,
MARQUES, C. L. (Org.) .A nova crise do contrato – Estudos sobre a nova teoria contratual. São Paulo-SP: RT – Revista dos Tribunais. 2007.
NALIN, Paulo. Do contrato conceito pós-moderno: em busca de sua formulação na perspectiva Civil-Constitucional. Curitiba: Juruá, 2006.
SAYEG, Ricardo Hasson. Doutrina Humanista do Direito Econômico. Tese de Doutorado, 2006.
SILVEIRA, Vladmir Oliveira da. O Direito ao Desenvolvimento na Doutrina Humanista do Direito Econômico. São Paulo: PUC Tese de Doutorado, 2006.
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2018.12.02 20:28 ada_ardor Ajuda: Comprando na Steam como presente, para o exterior?

Estou tentando comprar Artifact (eu sei que tem várias críticas, mas ele é fã de Dota e está querendo o jogo) para meu namorado, mas ele está no Canadá e minha conta é BR.
Na hora de finalizar a compra aparece um aviso dizendo: "Aviso: Jogos comprados em Brasil só podem ser adicionados à sua biblioteca se você estiver em: Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Bahamas, Equador, Colômbia, Venezuela, Peru, Chile, Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia, Guiana, Suriname, Brasil ou México."
Alguém já tentou algo parecido? Dá ruim mesmo, ou ele vai conseguir jogar? Tem outra opção?
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2018.04.25 17:19 netojpv Material de apoio: CANDIDO, Antonio. "Comentário e interpretação literária". 1996.

COMENTÁRIO E INTERPRETAÇÃO LITERÁRIA
Num texto literário há essencialmente um aspecto que é tradução de sentido e outro que é tradução do seu conteúdo humano, da mensagem através da qual um escritor se exprime, exprimindo uma visão do mundo e do homem.
O estudo do texto importa em considerá-lo da maneira mais íntegra possível, como comunicação, mas ao mesmo tempo, e sobretudo, como expressão. O que o artista tem a comunicar, ele o faz na medida em que se exprime. A expressão é o aspecto fundamental da arte e portanto da literatura.
O comentário é uma espécie de tradução, feita previamente à interpretação, inseparável dela essencialmente, mas teoricamente podendo consistir numa operação separada. Neste sentido, vejamos alguns tópicos do já citado Benno von Wiese ("Ueber die Interpretation lyrischer Dichtung", p. 11-21).
Dizendo que o prazer estético é realçado, não prejudicado pela análise sistemática, von Wiese defende a possibilidade duma interpretação científica ou sistemática ("wissenschaftliche"), e lembra que as dúvidas a este respeito derivam do fato de se opor erradamente Comentário (externo, informativo, objetivo) à Interpretação (interna, afetiva, arbitrária). Em verdade "o comentário bem compreendido é o vestíbulo da interpretação" (p. 15).
O comentário é tanto mais necessário quanto mais se afaste a poesia de nós, no tempo e na estrutura semântica. Um poema medieval necessita um trabalho prévio de elucidação filológica, que pode ser dispensado na poesia atual. Mas mesmo nesta há uma etapa inicial de "tradução", gramatical, biográfica, estética, etc, que facilita o trabalho final e decisivo da interpretação.
O que é interpretação, alvo superior da exegese literária?
Como já indicou expressivamente Emil Staiger, "interpretar significa reproduzir e determinar com penetração compreensiva e linguagem adequada à matéria, a estrutura íntima, as normas estruturais peculiares, segundo as quais uma obra literária se processa, se divide e se constitui de novo como unidade" (p. 16).
Natureza da interpretação:
  • "(...) a Interpretação é uma tradução do tipo mais difícil que a tradução de uma língua para outra (...)" (p. 16).
Dificuldades:
  • "um poema não se revela por si mesmo, nem para os que falam a mesma língua. É espantoso o quanto o leitor desprevenido (ou ingênuo) lê mal e não percebe" (p. 17). Daí a necessidade de ensinar e aprender a interpretação sistemática.
Requisitos:
  1. Não se prender exclusivamente à forma nem ao conteúdo ("formalismo"e "materialismo"); não utilizar padrões alheios ao poema (p. 17).
  2. Não falar de si mesmo, mas da obra, isto é, não emprestar a ela os sentimentos e ideias pessoais que brotam por sua sugestão; mas procurar extrair os que estão contidos nela (p. 18).
Regras:
  • "(...) aprender a ler, saber ouvir, prestar atenção a todas as particularidades" (p. 17).
ANÁLISE
A análise comporta praticamente um aspecto de comentário puro e simples, que é o levantamento de dados exteriores à emoção poética, sobretudo dados históricos e filológicos. E comporta um aspecto já mais próximo à interpretação, que é a análise propriamente dita, o levantamento analítico de elementos internos do poema, sobretudo os ligados à sua construção fônica e semântica, e que tem como resultado uma decomposição do poema em elementos, chegando ao pormenor das últimas minúcias.
A interpretação parte desta etapa, começa nela, mas se distingue por ser eminentemente integradora, visando mais à estrutura, no seu conjunto, e aos significados que julgamos poder ligar a esta estrutura. A análise e a interpretação, ao contrário do comentário, (fase inicial da análise) não dispensam a manifestação do gosto, a penetração simpática no poema. Comenta-se qualquer poema; só se interpretam os poemas que nos dizem algo. A análise esta a meio caminho, podendo ser, como vimos, mais análise-comentário ou mais análise-interpretação.
Análise e interpretação representam os dois momentos fundamentais do estudo do texto, isto é, os que se poderiam chamar respectivamente o "momento da parte" e o "momento do todo", completando o círculo hermenêutico, ou interpretativo, que consiste em entender o todo pela parte e a parte pelo todo, a síntese pela análise e a análise pela síntese. A este respeito, tomemos alguns conceitos de Staiger no citado estudo Die Kunst der Interpretation:
"O intérprete se mede pela capacidade de exprimir de maneira sistemática, a respeito da poesia, e sem destruir o seu encanto, o que determina o seu segredo e a sua beleza, e de aprofundar por meio do conhecimento o prazer causado pela valia da obra. Isto é possível? Depende do que se considerar sistemático.
A hermenêutica nos ensinou há muito que nós compreendemos o todo pela parte e a parte pelo todo. É o 'círculo hermenêutico', a cujo respeito não dizemos mais que é necessariamente um círculo vicioso. Sabemos pela Ontologia de Heidegger que todo o conhecimento humano se desenvolve desta maneira, e também a Física e a Matemática não costumam andar de outra maneira. Portanto, não devemos evitar o círculo, mas apenas cuidar em entrar nele corretamente" (p. 12-13).
Em seguida, Staiger fala do prazer e da emoção da leitura como condição de conhecimento adequado, sem temer a acusação de fundar os estudos literários no sentimento subjetivo. O sentimento neste caso é um critério de orientação e de penetração. "O critério da sensibilidade se torna também critério de conhecimento sistemático" (p. 13).
Uma vez assegurada esta penetração simpática, o leitor deve apreender o ritmo, o largo compasso do poema(*) sobre o qual repousa o estilo, sendo o elemento que unifica num todo os aspectos de uma obra de um artista ou de um tempo (p. 14).
Quando apreendemos pela sensibilidade o ritmo geral de uma poesia, apreendemos no todo a sua beleza própria. Esclarecer esta intuição pelo conhecimento é a tarefa da interpretação.
"Neste estádio o estudioso se separa do amador. Para o amador, basta o sentimento geral e um domínio ainda vago, que pode esclarecer por meio de leituras atentas. Mas ele não sente a necessidade de comprovar como tudo se afina no todo, e como o todo se afina pelas partes. A possibilidade de estabelecer esta prova é o fundamento da nossa ciência" (p. 15).
Antes de entrar na apresentação dos elementos necessários à análise do poema, como encaminhamento para a sua interpretação posterior, façamos um exercício breve, que mostre como o comentário e a interpretação se completam e como cada um deles pode ser melhor compreendido por um caso concreto.
Seja o soneto de Camões numerado 74 na edição Hernani Cidade (Sá da Costa):
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
...
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
...
E querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
...
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
COMENTÁRIO
Trata-se de um soneto. Significativo: adoção de um instrumento expressivo italiano (ou fixado e explorado pelos italianos), apto pela sua estrutura a exprimir uma dialética; isto é, no caso, uma forma ordenada e progressiva de argumentação. Há certa analogia entre a marcha do soneto e a de certo tipo de raciocínio lógico em voga ainda ao tempo de Camões: o silogismo. Em geral, contém uma proposição ou uma série de proposições (ou algo que se pode assimilar a ela) e uma conclusão (ou algo que se pode a ela assimilar).
Este soneto obedece ao modelo clássico. E composto em decassílabos e obedece ao esquema de rimas ABBA, ABBA, CDC, DCD. Isto permite a divisão do tema e a constituição de uma rica unidade sonora, na qual a familiaridade dos sons e a passagem dum sistema de rimas a outro ajuda ao mesmo tempo o envolvimento da sensibilidade e a clareza da exposição poética (proposição, conclusões).
O decassílabo, como aqui aparece, é de invenção italiana, embora exista com outros ritmos na poesia de outras línguas. Verso capaz de conter uma emissão sonora prolongada, e bastante variado para se ajustar ao conteúdo.
Este soneto apresenta uma particularidade: a proposição é feita por uma justaposição de conceitos nos dois primeiros quartetos, estendendo-se ao primeiro terceto. Só nó último tem lugar a conclusão (que é uma consequência do exposto), que de ordinário principia no anterior.
Quanto à estrutura rítmica, notar que na parte propositiva (11 versos), todos os versos têm cesura da 6» silaba, permitindo um destaque de 2 membros, o primeiro dos quais exprime a primeira parte de uma antítese, exprimindo o segundo a segunda parte. Vemos aqui a função lógica ou psicológica da métrica, ao ajustar-se à marcha intelectual e afetiva do poema.
Note-se ainda que o poeta recorre discretamente à aliteração, isto é, à frequência num ou mais versos das mesmas consoantes, formando uma determinada constante sonora, ou antes, um efeito sonoro particular: n no primeiro verso; t no terceiro e sétimo; d no quarto; v no décimo, etc.
Quanto a outras circunstâncias exteriores à interpretação, como data de composição, situação na vida do poeta, etc, não há elementos no caso. Apenas um pormenor erudito de variantes.
INTERPRETAÇÃO
  • 1ª parte: aspecto expressivo formal;
Evidentemente se trata de um poema construído em torno de antíteses, organizadas longitudinalmente em forma simétrica, por efeito da cesura significativa, dando nítida impressão de estrutura bilateral regular, ordenada em torno de uma tensão dialética. São duas séries de membros que se opõem, prolongando durante 11 versos um movimento de entrechoque.
Esta forma estrutural geral é movimentada por uma progressão constante do argumento poético, manifestada:
  • pelo efeito de acúmulo das imagens, que acabam criando uma atmosfera de antítese;
  • pela abstração progressiva das categorias gramaticais básicas que são no caso vocábulos-chaves do ponto de vista poético. Assim é que temos sucessivamente uma área de substantivos, uma área de verbos substantivados e uma área de verbos.
Substantivos;
  • 1ª estrofe: fogo, ferida, contentamento, dor.
Verbos substantivados:
  • 2ª estrofe: um querer, um andar (solitário pode ser substantivo ou adjetivo, aliás; dupla leitura possível).
Transição no terceiro verso que prepara a passagem para a área seguinte verbal (/um/ nunca contentar-se).
Verbos:
  • 3ª estrofe, e já fim da segunda: querer estar, servir, ter.
Trata-se de um nítido processo de abstração, que revela a passagem do estado passivo do sujeito poético à sua ação, intensificando a sua força emocional. Ainda sob este aspecto, note-se na área dos substantivos a evolução da causa material - fogo - para a consequência material imediata e apenas metaforicamente imaterial - ferida, - e dela para a consequência imaterial mediata - contentamento e dor, que são estados da sensibilidade.
Na última estrofe, a cesura não divide o verso, há transposição ("enjam-bement"), e todo o terceto se apresenta como unidade expressiva coesa e ininterrupta, pela presença de uma consequência lógico-poética, sob a forma de interrogação. Esta interrogação exprime a perplexidade do poeta e permite transitar à nossa segunda parte. (Ver nota abaixo).
  • 2ª parte: aspecto expressivo existencial.
Este soneto exprime, sob aparente rigidez lógica, uma densa e dramática tensão existencial; é o encerramento de uma profunda experiência humana, baseada na perplexidade ante o caráter contraditório (bilateral, para usar a expressão aplicada à forma estrutural do soneto), da vida humana. A vida é contraditória, e como os poetas não cansam de lembrar, amor e ódio, prazer e dor, alegria e tristeza, andam juntos. Sabemos hoje pela psicologia moderna que isto não constitui, para a ciência, motivo de perplexidade, mas a própria realidade dos sentimentos de toda a personalidade. A arte percebeu antes da ciência.
No soneto de Camões há uma rebeldia apenas retórica, sob a perplexidade do último terceto.
Mas no corpo dialético do poema reponta uma aceitação das duas metades da vida, pelo conhecimento do seu caráter inevitável. A profunda experiência de um homem que viveu guerras, prisão, vícios, gozos do espírito, leva-o a esta análise que reconhece a divisão na unidade. E a própria conclusão perplexa do fim é o reconhecimento de que a unidade se sobrepõe afinal à divisão do ser no plano da experiência humana total. O amor é tudo o que vimos, e ele é aspiração de plenitude graças à qual o nosso ser se organiza e se sente existir.
Grande mistério - sugere o poeta - que sendo tão aparentemente oposto à unidade do ser, ele seja um unificador dos seres (na medida em que é amizade).
A simetria antitética perfeitamente regular exprime a presença de uma ordem no caos. O espírito unifica no plano da arte as contradições da vida, não as destruindo, mas integrando-as.
CANDIDO, Antonio. "Comentário e interpretação literária". In: ______. O estudo analítico do poema. 3ed. São Paulo: Humanitas Publicações/ FFLCH/USP, 1996, p. 17-23.
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